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 Assunto da Mensagem: Os investigadores são uma malandragem que só quer tacho
 Mensagem Enviado: Quarta Maio 23, 2018 7:10 am 
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cientista assíduo
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Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
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A página 44 da versão impressa do jornal Público de hoje contém extenso artigo do jornalista Manuel Carvalho sobre o Manifesto para a Ciência, curiosamente o mesmo Manifesto também assinado pelo próprio Ministro Manuel Heitor.

O artigo que se inicia logo com profunda pérola "a ciência é uma questão demasiado fundamental para ficar nas mãos dos cientistas" que não se sabe em que é que se baseia, porventura somente na convicção deste jornalista, mas que soa bem neste tempo de frases feitas que fiquem no ouvido e até permite criar no leitor a ideia que o jornalista é especialista sobre o tema. Passa depois rapidamente a apelidar o Manifesto de "secreção corporativa", "proposta de contrato colectivo de trabalho" e ainda "documento dominado por discurso sindical. https://www.publico.pt/2018/05/23/ciencia/opiniao/o-ministro-que-deu-a-alma-ao-manifesto-1831237/amp

Talvez o jornalista não tenha lido o mesmo Manifesto que eu ou talvez ele tenha lido lá somente aquilo que lhe interessou ler. Seja como for é desde logo interessante constatar a mudança narrativa. Antes no tempo da troika dizia-se que a Ciência estava a ser atacada e agora diz-se que são os cientistas que querem explorar o país ! Bem dizem que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. E que bela farsa que esta é. Onde é que andam aqueles jornalistas que ainda há poucos anos diziam que amavam a ciência ?

Escreve o jornalista que os (malandros) dos doutorados não querem ir trabalhar para as empresas e que a carreira de investigador se tornou uma carreira de funcionários públicos. É claro que ele não diz (porque não sabe ou não lhe interessa) quantos investigadores existem efectivamente integrados em carreira de investigador como funcionários públicos. Também não diz qual a percentagem de doutorados selecionados para receber uma bolsa nem o Presidente do IST referido no mesmo artigo o informou a esse respeito pois o que interessa é passar para a opinião pública a ideia que há muitos e até em excesso, milhares até, pasme-se que querem tornar-se funcionários públicos. É um discurso que na verdade não foge muito daquele protagonizado pelo jornalista e SubDirector do Expresso que de forma muito mais sucinta e expedita escreveu que "não é de Professores doutorados ou investigadores que o Estado têm falta".

A parte curiosa de que não fala este jornalista, nem aquele outro do Expresso, é que não há emprego nas empresas para doutorados a não ser aquele pago a pouco mais do que o ordenado mínimo e para funções que nada têm que ver com investigação. E também que muitas empresas não estão interessadas em contratar doutorados, nem se a Europa lhes financiar parte do vencimento, como se comprovou pelo facto de programa de financiamento nesse sentido não ter tido candidaturas suficientes. Será que isso tem que ver com o facto da maioria do tecido empresarial Português ser composto por empresários com o 9º ano de escolaridade em negócios de baixa tecnologia e sem capital suficiente para coisa nenhuma muito menos para financiar estratégias de investigação ? Talvez mas isso é coisa que não incomoda o jornalista porque a especialidade dele não é essa. A especialidade dele é dizer que lá fora há muitos investigadores em empresas e isso chega-lhe não necessitando de perder tempo em saber que empresas há lá fora que não existem em Portugal e porque é que isso é assim.

A realidade porém é outra que nada têm que ver com os milhares de doutorados que as universidades formam todos os anos. A verdade é que apenas uma pequena parte desses doutorados vive há vários anos com bolsas e recentemente foi aprovada legislação que lhes dá direitos minimos, os mesmos direitos que têm muitas outras classes profissionais. Porém essa legislação não agrada aos senhores Reitores e portanto logo trataram de inventar narrativa dizendo que os deputados aprovaram legislação que os obriga a efectivar milhares de doutorados. Algo que não corresponde minimamente à verdade. Não colhendo por isso a tese que os senhores reitores agora de repente resolveram ficar preocupadissimos com o emprego dos doutorados.

Seja como for eu não tenho memória de um jornalista ter escrito um artigo dando conselhos a uma classe profissional sobre onde devem ir procurar emprego. Alguém acredita que ele se atreveria a fazer artigo similar relativamente aos médicos, aos enfermeiros ou as professores dos secundário ? É altamente improvável. Porém os investigadores deste país não são retardados mentais e não precisam de conselhos paternalistas onde irem procurar emprego. São pessoas extremamente competitivas que durante o seu trabalho tiveram de concorrer directamente por financiamento contra investigadores de países muito mais avançados do que Portugal.

O que é certo é que os investigadores deste país que as universidades não aproveitarem outros países não deixarão de aproveitar como já sucede com muitos Portugueses que já lá trabalham. Esses investigadores talvez um dia voltem a este país quando cá deixarem de ser vistos como os parasitas da nação, o mesmo país onde a única coisa que realmente interessa é a bola.

Há porém um aspecto positivo no artigo em causa, se o jornalista acha que os únicos doutorados que interessam ao país são aqueles que as empresas podem contratar então que assuma que o Estado deve deixar de financiar bolsas de doutoramento em filosofia, história e outras áreas que as empresas não querem contratar.

Uma sugestão final ao jornalista Manuel Carvalho, informe-se aqui
https://observador.pt/opiniao/sobre-o-concurso-singular-dos-projetos-fct-de-2017/
sobre o inferno em que se tornou a ciência em Portugal, pois talvez isso o ajude da próxima vez que quiser escrever sobre um assunto do qual conhece muito pouco pois se como diz "a ciência é uma questão demasiado fundamental para ficar nas mãos dos cientistas" pode ter a certeza que é ainda mais fundamental para ficar nas mãos de jornalistas que conhecem pouco sobre ela

O que é bizarro neste contexto é saber o que se poderá ter passado pela cabeça do Sr. Reitor da Universidade de Lisboa, quando aquele disse recentemente que se ia empenhar em acabar com a carreira de investigação como se comentou aqui https://forum.bolseiros.org/viewtopic.php?f=8&t=8009
,deixando criar na opinião pública e em alguns jornalistas a ideia que efectivamente as universidades têm investigadores em excesso. Com amigos destes os investigadores não precisam de inimigos.


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 Assunto da Mensagem: Re: Os investigadores são uma malandragem que só quer tacho
 Mensagem Enviado: Quarta Maio 30, 2018 4:37 pm 
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Registado: Quarta Abr 25, 2018 1:39 am
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A mim parece-me que ele estava a criticar o insólito de um ministro que tutela a ciência - e que por isso tem o poder de alterar o que está mal - assinar um manifesto cujo objectivo é chamar a atenção de quem manda para corrigir o que está mal... que é ele próprio.

Se sabe que há coisas que estão mal, então porque é que não as resolve já que é ministro? Não tem muita lógica....

De resto, ao longo do artigo ele valoriza o trabalho dos investigadores e chama atenção para o seguinte:
Se o bom desempenho do sistema científico e tecnológico nacional impediu o naufrágio, hoje parece necessitar de um tónico para criar o músculo que o país precisa para um próximo salto em frente. E isto acontece porque a ciência e os investigadores portugueses caíram excessivamente na dependência das universidades e das bolsas do Estado. Portugal tem apenas cerca de 4% dos seus doutorados a trabalhar nas empresas – eram 2.8% há meia dúzia de anos. Na OCDE a média é superior a 15%. Em países como a Dinamarca esse valor chega a ultrapassar os 40%.

O que, vai-me desculpar, mas é verdade. Países como a Dinamarca ou a França têm programas doutorais industriais feitos em parceria directa com empresas (ex: http://www.anrt.asso.fr/sites/default/f ... fre_en.pdf).

Eu vou a entrevistas para bolsas de investigação e quando digo que só estou interessada num doutoramento que seja com uma grande componente internacional ou em parceria directa com indústria, ficam a olhar para mim com aquela cara de "de onde veio este alien? o que é que ela está para ali a dizer? coitada, é nova, sonhadora, não sabe o que diz". :?

A verdade é que Portugal é um país pobre e se não fosse por fundos europeus, 99% dos projectos de investigação existentes em Portugal não ocorriam. Os 1% que ocorreriam seriam aqueles que têm financiamento privado (e se calhar estou a ser optimista de mais a considerar que 1% dos projectos tem financiamento privado). Ao criar esta dependência de dinheiros públicos, o sector da investigação sujeita-se a crises cíclicas, em que, se houver uma crise económica, já se sabe que vão cortar fundos na ciência e depois há situações em que os projectos não arrancam. Já se os grupos tivesse patrocínios de empresas privadas, isso poderia ser parcialmente contornado.

Além disso, temos muito talento em Portugal e esse talento tem que ser posto ao serviço do país. O objectivo da ciência deve ser resolver os problemas do país, não deve ser dar emprego a quem não o consegue arranjar ou publicar muitos artigos que ninguém vai ler.

Há um claro desfasamento entre a Academia e aquilo que é o mercado privado. A Academia é incapaz de acompanhar as necessidades e transformações, tendo em conta a burocracia que existe. Há muitos bons investigadores e admito que alguns até gostassem de poder ser mais dinâmicos e empreendedores e se sintam limitados pela burocracia... Mas a verdade é que se alguém nunca trabalhou fora da Academia vai ter bastantes dificuldades em perceber o que é que realmente importa para o tecido empresarial... O problema é terem a mania de pôr títulos em tudo e empacotar as pessoas em caixinhas: se vai para PhD pronto é para depois ir para pos-doc. Se vai trabalhar depois do curso, então pronto não vai para PhD. Não podem coexistir ambos? Não se podem enriquecer mutuamente? Claro que aquela parvoíce da exclusividade da FCT também não ajuda, a culpa não é só dos investigadores é muito das leis, se bem que há alguns investigadores a quem fazia bem abrir horizontes e a mente.

Bem, obrigado por publicar a notícia porque veio mesmo a calhar visto que me tenho debatido com estas questões.


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 Assunto da Mensagem: Re: Os investigadores são uma malandragem que só quer tacho
 Mensagem Enviado: Quinta Maio 31, 2018 2:07 pm 
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cientista assíduo
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Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
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curiousbeing Escreveu:
A mim parece-me que ele estava a criticar o insólito de um ministro que tutela a ciência - e que por isso tem o poder de alterar o que está mal - assinar um manifesto cujo objectivo é chamar a atenção de quem manda para corrigir o que está mal... que é ele próprio.

Se sabe que há coisas que estão mal, então porque é que não as resolve já que é ministro? Não tem muita lógica....

De resto, ao longo do artigo ele valoriza o trabalho dos investigadores e chama atenção para o seguinte:
Se o bom desempenho do sistema científico e tecnológico nacional impediu o naufrágio, hoje parece necessitar de um tónico para criar o músculo que o país precisa para um próximo salto em frente. E isto acontece porque a ciência e os investigadores portugueses caíram excessivamente na dependência das universidades e das bolsas do Estado. Portugal tem apenas cerca de 4% dos seus doutorados a trabalhar nas empresas – eram 2.8% há meia dúzia de anos. Na OCDE a média é superior a 15%. Em países como a Dinamarca esse valor chega a ultrapassar os 40%.

O que, vai-me desculpar, mas é verdade. Países como a Dinamarca ou a França têm programas doutorais industriais feitos em parceria directa com empresas (ex: http://www.anrt.asso.fr/sites/default/f ... fre_en.pdf).

Eu vou a entrevistas para bolsas de investigação e quando digo que só estou interessada num doutoramento que seja com uma grande componente internacional ou em parceria directa com indústria, ficam a olhar para mim com aquela cara de "de onde veio este alien? o que é que ela está para ali a dizer? coitada, é nova, sonhadora, não sabe o que diz". :?

A verdade é que Portugal é um país pobre e se não fosse por fundos europeus, 99% dos projectos de investigação existentes em Portugal não ocorriam. Os 1% que ocorreriam seriam aqueles que têm financiamento privado (e se calhar estou a ser optimista de mais a considerar que 1% dos projectos tem financiamento privado). Ao criar esta dependência de dinheiros públicos, o sector da investigação sujeita-se a crises cíclicas, em que, se houver uma crise económica, já se sabe que vão cortar fundos na ciência e depois há situações em que os projectos não arrancam. Já se os grupos tivesse patrocínios de empresas privadas, isso poderia ser parcialmente contornado.

Além disso, temos muito talento em Portugal e esse talento tem que ser posto ao serviço do país. O objectivo da ciência deve ser resolver os problemas do país, não deve ser dar emprego a quem não o consegue arranjar ou publicar muitos artigos que ninguém vai ler.

Há um claro desfasamento entre a Academia e aquilo que é o mercado privado. A Academia é incapaz de acompanhar as necessidades e transformações, tendo em conta a burocracia que existe. Há muitos bons investigadores e admito que alguns até gostassem de poder ser mais dinâmicos e empreendedores e se sintam limitados pela burocracia... Mas a verdade é que se alguém nunca trabalhou fora da Academia vai ter bastantes dificuldades em perceber o que é que realmente importa para o tecido empresarial... O problema é terem a mania de pôr títulos em tudo e empacotar as pessoas em caixinhas: se vai para PhD pronto é para depois ir para pos-doc. Se vai trabalhar depois do curso, então pronto não vai para PhD. Não podem coexistir ambos? Não se podem enriquecer mutuamente? Claro que aquela parvoíce da exclusividade da FCT também não ajuda, a culpa não é só dos investigadores é muito das leis, se bem que há alguns investigadores a quem fazia bem abrir horizontes e a mente.

Bem, obrigado por publicar a notícia porque veio mesmo a calhar visto que me tenho debatido com estas questões.



Eu não comento comentário anónimos, desde logo porque um anónimo pode alegar que é o que não é dizendo por exemplo que é um bolseiro que vai a entrevistas de bolsas, quanto pode ser tudo mentira. Abro apenas uma excepção para dizer o seguinte:
O ministro não resolve porque está refém do status quo. O ensino superior necessita de cortes radicais com as práticas daqueles que controlam a ciência e o ensino superior mas o Ministro não têm coragem para os enfrentar. Diz ele que não é policia das universidades, da mesma forma que disse que haver quem fosse docente recebendo zero era normal.
Portugal não têm o sistema empresarial dos países que refere. Portanto se quer trabalhar em empresas deve emigrar para esses países, porque as empresas por cá não querem doutorados a não ser que lhes possam pagar somente o ordenado minimo e muito menos querem ouvir falar em investigação. Não esquecer também que os países mais avançados do Planeta dedicam elevadas verbas a investigação básica portanto a sua critica à investigação básica e da produção dos tais papers que ninguém lê vale o que vale, pouco. Coisa diferente é falar-se do que é a missão de uma universidade e de um politécnico e parece que você confunde universidades com politécnicos.


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 Assunto da Mensagem: Re: Os investigadores são uma malandragem que só quer tacho
 Mensagem Enviado: Quinta Maio 31, 2018 6:19 pm 
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Torgal Escreveu:
curiousbeing Escreveu:
A mim parece-me que ele estava a criticar o insólito de um ministro que tutela a ciência - e que por isso tem o poder de alterar o que está mal - assinar um manifesto cujo objectivo é chamar a atenção de quem manda para corrigir o que está mal... que é ele próprio.

Se sabe que há coisas que estão mal, então porque é que não as resolve já que é ministro? Não tem muita lógica....

De resto, ao longo do artigo ele valoriza o trabalho dos investigadores e chama atenção para o seguinte:
Se o bom desempenho do sistema científico e tecnológico nacional impediu o naufrágio, hoje parece necessitar de um tónico para criar o músculo que o país precisa para um próximo salto em frente. E isto acontece porque a ciência e os investigadores portugueses caíram excessivamente na dependência das universidades e das bolsas do Estado. Portugal tem apenas cerca de 4% dos seus doutorados a trabalhar nas empresas – eram 2.8% há meia dúzia de anos. Na OCDE a média é superior a 15%. Em países como a Dinamarca esse valor chega a ultrapassar os 40%.

O que, vai-me desculpar, mas é verdade. Países como a Dinamarca ou a França têm programas doutorais industriais feitos em parceria directa com empresas (ex: http://www.anrt.asso.fr/sites/default/f ... fre_en.pdf).

Eu vou a entrevistas para bolsas de investigação e quando digo que só estou interessada num doutoramento que seja com uma grande componente internacional ou em parceria directa com indústria, ficam a olhar para mim com aquela cara de "de onde veio este alien? o que é que ela está para ali a dizer? coitada, é nova, sonhadora, não sabe o que diz". :?

A verdade é que Portugal é um país pobre e se não fosse por fundos europeus, 99% dos projectos de investigação existentes em Portugal não ocorriam. Os 1% que ocorreriam seriam aqueles que têm financiamento privado (e se calhar estou a ser optimista de mais a considerar que 1% dos projectos tem financiamento privado). Ao criar esta dependência de dinheiros públicos, o sector da investigação sujeita-se a crises cíclicas, em que, se houver uma crise económica, já se sabe que vão cortar fundos na ciência e depois há situações em que os projectos não arrancam. Já se os grupos tivesse patrocínios de empresas privadas, isso poderia ser parcialmente contornado.

Além disso, temos muito talento em Portugal e esse talento tem que ser posto ao serviço do país. O objectivo da ciência deve ser resolver os problemas do país, não deve ser dar emprego a quem não o consegue arranjar ou publicar muitos artigos que ninguém vai ler.

Há um claro desfasamento entre a Academia e aquilo que é o mercado privado. A Academia é incapaz de acompanhar as necessidades e transformações, tendo em conta a burocracia que existe. Há muitos bons investigadores e admito que alguns até gostassem de poder ser mais dinâmicos e empreendedores e se sintam limitados pela burocracia... Mas a verdade é que se alguém nunca trabalhou fora da Academia vai ter bastantes dificuldades em perceber o que é que realmente importa para o tecido empresarial... O problema é terem a mania de pôr títulos em tudo e empacotar as pessoas em caixinhas: se vai para PhD pronto é para depois ir para pos-doc. Se vai trabalhar depois do curso, então pronto não vai para PhD. Não podem coexistir ambos? Não se podem enriquecer mutuamente? Claro que aquela parvoíce da exclusividade da FCT também não ajuda, a culpa não é só dos investigadores é muito das leis, se bem que há alguns investigadores a quem fazia bem abrir horizontes e a mente.

Bem, obrigado por publicar a notícia porque veio mesmo a calhar visto que me tenho debatido com estas questões.



Eu não comento comentário anónimos, desde logo porque um anónimo pode alegar que é o que não é dizendo por exemplo que é um bolseiro que vai a entrevistas de bolsas, quanto pode ser tudo mentira. Abro apenas uma excepção para dizer o seguinte:
O ministro não resolve porque está refém do status quo. O ensino superior necessita de cortes radicais com as práticas daqueles que controlam a ciência e o ensino superior mas o Ministro não têm coragem para os enfrentar. Diz ele que não é policia das universidades, da mesma forma que disse que haver quem fosse docente recebendo zero era normal.
Portugal não têm o sistema empresarial dos países que refere. Portanto se quer trabalhar em empresas deve emigrar para esses países, porque as empresas por cá não querem doutorados a não ser que lhes possam pagar somente o ordenado minimo e muito menos querem ouvir falar em investigação. Não esquecer também que os países mais avançados do Planeta dedicam elevadas verbas a investigação básica portanto a sua critica à investigação básica e da produção dos tais papers que ninguém lê vale o que vale, pouco. Coisa diferente é falar-se do que é a missão de uma universidade e de um politécnico e parece que você confunde universidades com politécnicos.


Pois mas é que Portugal não é um desses países ricos e desenvolvidos, não é auto-sustentável, ainda há poucos anos saiu de uma crise e de uma intervenção do FMI (que já é a 3ª desde que somos democracia e não será a última) e depende de fundos europeus para praticamente tudo. Num país assim, o planeamento e visão estratégica é fundamental! Eu posso emigrar, mas quem fica a perder é o país, não sou eu (já para não falar que não devia ser obrigada a deixar o meu país, mas tudo bem). Porque se o país não tiver essa visão estratégica a longo prazo, nunca vai sair da cepa torta e os direitos dos bolseiros nunca vão evoluir, visto que obviamente não há verbas para contratar toda a gente e dar direitos como subsídio de desemprego. Basta haver mais uma crise - e vai haver porque no capitalismo as crises são cíclicas - para haver novo corte de verbas na ciência.

No entanto, também concordo com a parte do tecido empresarial também ser arcaico e pouco inovador e ser especialista em explorar pessoas.


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