O rosário de queixas do Presidente do IST

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Torgal
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O rosário de queixas do Presidente do IST

Mensagem por Torgal » sábado mar 10, 2018 10:13 am

Interessantes hoje as queixas do Presidente do IST na pág 34 do Expresso, onde se mostra muito indignado quer sobre a possibilidade de corte de 5% das vagas e também sobre a possibilidade de estarem aquelas universidades a ser pressionadas pelos sindicatos, a contratar doutorados que "exercem funções temporárias".

O rosário de queixas em tom catastrofista inicia-se afirmando que as instituições de ensino superior são a melhor coisa que existe neste país. Se é como ele diz então não se percebe porque nenhuma delas aparece no ranking das 100 mais inovadoras da Europa, onde a Espanha têm uma dezena, o tal ranking encabeçado pela KULeuven, Imperial College e a Univ de Cambridge https://www.reuters.com/article/us-reut ... SKBN17Z09T

Infelizmente o Presidente do IST não apresenta um único valor numérico em defesa da sua tese. Seria importante e interessante saber por exemplo qual o custo para o erário público das citações das publicações Portuguesas https://nexus.od.nih.gov/all/2016/04/28 ... er-dollar/
e se o Presidente do IST afirma que as IESuperior são das instituições mais eficientes a nível nacional e fazem muitíssimo com muito pouco dinheiro então por certo será fácil provar que as publicações Portuguesas apresentam uma melhor relação citação/custo do que a de muitos outros países, que para atingirem o mesmo nível de citações tiveram de gastar muito mais dinheiro.

Que alguns dos tais doutorados exerçam funções temporárias há 20 vinte anos isso é coisa que não o parece incomodar. Em sua defesa diz que nas universidades de todo o mundo também há muitos doutorados temporários. O que ele não diz é que nas tais universidades de todo o mundo não existe o nível de endogamia que existe em Portugal (que recentemente indignou o MCTES mas pelos vistos não o presidente do IST)
https://www.docdroid.net/loc34Fo/mctes-23-09-2017.pdf
e essa endogamia explica porque há quem ande com contratos temporários há muitos anos quando outros doutorados com muito menos currículo científico (mas com outras capacidades menos científicas) já há muito tempo que estão nomeados definitivamente.

Neste contexto merece leitura o artigo abaixo:
Bonaccorsi et al. (2017). The solitude of stars. An analysis of the distributed excellence model of European universities. Journal of Informetrics, 11(2), 435-454.
É verdade que Portugal também aparece referido no artigo em questão, mas infelizmente só por causa da elevada endogamia das suas universidades.

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