Descobri na página do Observatório para a Ciência e Ensino Superior (http://www.oces.mctes.pt) este estudo sobre a situação profissional de ex-bolseiros de doutoramento da FCT que tem por base 5 inquéritos realizados aos exbolseiros entre 1999-2002: http://www.bolseiros.org/pdfs/ConfObser ... evisto.pdf.
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Alexandra
Estudo do OCES sobre situação profissional de ex-bolseiros
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Estudo do OCES sobre situação profissional de ex-bolseiros
Alexandra Rosa
Ex-cientista
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Análises
O studo realmente é interessante, não só pelos resultados em si, mas pelo facto de ser um estudo aparentemnete sério que visa rastrear as actividades dos ex-alunos de doutoramento financiados pela FCT. A FCT é a entidade financiadora do Estado e portanto, deve preocupar-se com o investimento do Estado na formação das pessoas e não divorciar-se dos alunos formados ao abrigo dos seus programas.
Várias análises são possíveis:
1) O estudo está desactualizado. Referindo-se até 2002, este estudo não entra em linha de conta com o péssimo desempenho do governo de coligação PSD/CDS-PP na área da ciência, em que todos os indicadores demonstraram um desinvestimento militante na investigação científica. Cortou-se a torto e a direito, e a ciência foi extremamente mal tratada. Logo, estes resultados podem não obedecer totalmente à verdade actual;
2) O estudo revela algo de preocupante, que é o facto de a esmagadora maioria dos ex-bolseiros de doutoramento ter enveredado pela docência como emprego. Isto por si só não é problemático, mas se levarmos em consideração que o Ensino Superior tende a ver o efectivo dos seus alunos reduzidos ao longo do tempo (veja-se a curva demográfica), podemos pensar que é uma aposta a prazo.
3) A docência no ensino superior absorveu uma larga fatia dos doutorados nacionais, mas não será meramente um balão de oxigénio no sentido de garantir alguma empregabilidade alternativa face à inexistência de uma carreira séria de investigação? Mesmo o emprego no ensino superior não é garante de um bom nível de vida, pois conheço alguns docentes do politécnico que passam mal - não será fome, mas também não é emprego. Conheço um que, por exemplo, que ganha 100 poucos euros por mês.
4) A aposta do Estado português numa carreira de investigação é ridiculamente pequena. E se a tendência anunciada é a do crescimento do número de investigadores auxiliares, aquilo que se vai vendo é que isso não passa do papel. Mesmo os laboratórios do Estado não o fazem, com vagas congeladas ao longo de vários anos.
5) Confesso-me surpreendido com o número muito reduzido de pós-docs apresentado no estudo. Será esse o número real? Não haverá qualquer tipo de bias associado a confusões nas respostas? Porque na maioria dos campos, o número de "investigadores" é mais ou menos similar ao de pós-docs. A própria categoria d investigadores deveria discriminar se são investigadores auxiliares (contratados por Laboratórios Associados) ou de carreira pública (laboratórios do Estado)
6) O emprego científico é claramente sinónimo de função pública (sem atribuir aqui qualquer significado pejorativo). sector privado estão muito afastado do investimento no conhecimento, facto ao que não será alheio o clima de desincentivo fiscal à aposta em I&D.
Pode ser que o Governo, através do seu Ministério para o Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, possa ver o resultado do erro sistemático das políticas educativas, e do falhanço de modelos economicistas que mais não fizeram do que arredar a ciência do dia-a-dia dos portugueses.
Várias análises são possíveis:
1) O estudo está desactualizado. Referindo-se até 2002, este estudo não entra em linha de conta com o péssimo desempenho do governo de coligação PSD/CDS-PP na área da ciência, em que todos os indicadores demonstraram um desinvestimento militante na investigação científica. Cortou-se a torto e a direito, e a ciência foi extremamente mal tratada. Logo, estes resultados podem não obedecer totalmente à verdade actual;
2) O estudo revela algo de preocupante, que é o facto de a esmagadora maioria dos ex-bolseiros de doutoramento ter enveredado pela docência como emprego. Isto por si só não é problemático, mas se levarmos em consideração que o Ensino Superior tende a ver o efectivo dos seus alunos reduzidos ao longo do tempo (veja-se a curva demográfica), podemos pensar que é uma aposta a prazo.
3) A docência no ensino superior absorveu uma larga fatia dos doutorados nacionais, mas não será meramente um balão de oxigénio no sentido de garantir alguma empregabilidade alternativa face à inexistência de uma carreira séria de investigação? Mesmo o emprego no ensino superior não é garante de um bom nível de vida, pois conheço alguns docentes do politécnico que passam mal - não será fome, mas também não é emprego. Conheço um que, por exemplo, que ganha 100 poucos euros por mês.
4) A aposta do Estado português numa carreira de investigação é ridiculamente pequena. E se a tendência anunciada é a do crescimento do número de investigadores auxiliares, aquilo que se vai vendo é que isso não passa do papel. Mesmo os laboratórios do Estado não o fazem, com vagas congeladas ao longo de vários anos.
5) Confesso-me surpreendido com o número muito reduzido de pós-docs apresentado no estudo. Será esse o número real? Não haverá qualquer tipo de bias associado a confusões nas respostas? Porque na maioria dos campos, o número de "investigadores" é mais ou menos similar ao de pós-docs. A própria categoria d investigadores deveria discriminar se são investigadores auxiliares (contratados por Laboratórios Associados) ou de carreira pública (laboratórios do Estado)
6) O emprego científico é claramente sinónimo de função pública (sem atribuir aqui qualquer significado pejorativo). sector privado estão muito afastado do investimento no conhecimento, facto ao que não será alheio o clima de desincentivo fiscal à aposta em I&D.
Pode ser que o Governo, através do seu Ministério para o Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, possa ver o resultado do erro sistemático das políticas educativas, e do falhanço de modelos economicistas que mais não fizeram do que arredar a ciência do dia-a-dia dos portugueses.