As sanguessugas do lítio continuam por aí

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Torgal
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As sanguessugas do lítio continuam por aí

Mensagem por Torgal » terça set 10, 2019 6:03 am

No passado Sábado o semanário Expresso resolveu dedicar a sua atenção à polémica das putativas explorações mineiras do lítio. O jornalista do Expresso, Tiago Carrasco, repete logo no inicio do artigo a linda cassete do Secretário de Estado, Galamba, segundo o qual o Governo não quer fazer um projecto mineiro mas um projecto industrial com criação de refinarias para transformação da matéria prima em carbonato ou hidróxido de lítio porém mais à frente um tal David Archer descai-se e diz que pretende enviar o pó de pedra de lítio através do porto de Leixões para a China onde será transformado. É verdade que o jornalista foi suficientemente honesto para reconhecer que as maiores reservas se encontram na Bolívia, Argentina e Chile países que possuem quase 80% das reservas mundiais de lítio, só se esqueceu de escrever que nenhum daqueles países ficou rico por conta desse lítio, nem sequer a Bolívia que nem precisa de fazer minas para o explorar por que o mesmo se encontra em salmouras. No artigo do Expresso até se fala em "green mining" mas no Chile também começaram a falar em sonhos cor de rosa de "green mining" e depois o que lhes saiu na rifa foi uma coisa muito menos "green". A expressão "green mining" signfica apenas que são de cor verde as notas de dólar que entram na conta dos donos das empresas mineiras, nada mais do que isso. E uma outra prova que o jornalista fez um bom trabalho, ao contrário do artigo do Jornal do Fundão (email abaixo) foi o facto dele ter conseguido achar gente no interior de Portugal que lhe disse que sabe muito bem o que significa uma exploração mineira de lítio e que relataram que as coisas irão no futuro ficar feias pois consta que alguns dos putativos exploradores mineiros já lhes disseram que "aquilo ia para a frente, quer nós quiséssemos ou não". Pelos vistos devem pensar que Portugal é a Bolívia !



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De: "F. Pacheco Torgal"
Data: 23/06/19 07:11
Para: redaccao@jornaldofundao.pt, nunofrancisco@jornaldofundao.pt
Assunto: A exploração do lítio e o jornalismo fofinho do jornal do Fundão

Esta semana o Jornal do Fundão entrevistou o Secretário de Estado João Galamba a propósito da exploração do litio na Beira Interior, a quem fez umas perguntas fofinhas, tendo depois optado por dar relevo em texto a negrito á seguinte e vergonhosa propaganda "os beneficios economicos vão ser partilhados com as Câmaras e houve reforço das regras ambientais", em artigo sob titulo indecoroso "Governo diz que é uma oportunidade única para Portugal" que nada tem de jornalismo mas muito de relações públicas e que se por acaso tivesse sido solicitado aos spin doctors do Dr. Galamba, nem aqueles se teriam atrevido a tanto. Para abrilhantar a sua peça o Jornal do Fundão até conseguiu descobrir uma docente no Instituto Politécnico da Guarda que também aprecia a música do Dr. Galamba e que faz questão de explicar aos leitores daquele jornal que a exploração mineira é coisa que traz muitas vantagens, mas sobre a obra científica, indexada na Science Citation Index, desta especialista, que faz prova da sua expertise e do valor do que diz cada um fará o seu juizo bastando para isso ir a aqui https://www.scopus.com/authid/detail.ur ... 6602926011

Curiosamente o jornal do Fundão esqueceu-se convenientemente de perguntar ao Sr. Secretário de Estado se já visitou as tais escombreiras recentemente mediatizadas por uma reportagem da SIC, https://sicnoticias.pt/programas/invest ... -de-ruir-1 esqueceu-se também de perguntar se o Dr. Galamba sabe qual a estimativa do custo da recuperação ambiental das referidas explorações. Esqueceu-se também de perguntar se sabe ao menos qual o custo da recuperação ambiental das escombreiras da Barroca Grande e bem assim o custo de descontaminar a ribeira de Aldeia de S.Francisco de Assis e bem assim também qual o custo da descontaminação dos terrenos agricolas da mesma localidade que um grupo de investigadores, com obra científica muitissimo mais reconhecida do que a da tal docente do Politécnico da Guarda, afirma estarem altamento contaminados com arsénico em valores que excedem mais de 20 vezes os admissiveis https://www.sciencedirect.com/science/a ... 2713001819

Se estivessemos nos States seria possível processar a empresa responsável como se pode ler aqui
http://www.self.gutenberg.org/articles/ ... tamination
ou até o próprio Estado Português por omissão de fiscalzação, infelizmente como estamos em Portugal, não se pode contar sequer com um jornalismo rigoroso cujo o lema seja publicar aquilo que o poder não quer ver publicado.



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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 20 de junho de 2019 8:29
Assunto: Câmara Municipal promete guerra aberta contra a prospecção do lítio

https://www.dn.pt/lusa/interior/pampilh ... 04583.html

Quanto tempo irá demorar até o Catedrático Duque aparecer a dizer que esta Câmara é que leva o país à falência ?


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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 21 de abril de 2019 13:49
Assunto: Promessas, promessas

Para grande felicidade do catedrático Duque (emails abaixo) este Governo anda possuído por uma febre de assinar contratos de explorações mineiras para extracção de lítio, inclusive dentro do Parque Nacional da Serra da Estrela, da Reserva da Serra da Malcata ou do Parque do Tejo Internacional, áreas que deveriam ser de acesso proibido porque não pertencem apenas a este Portugal mas também ao Portugal daqueles que ainda nem sequer nasceram. Para dourar a pilula promete o Governo que desta vez porém será diferente e que não são apenas meras explorações mineiras mas concessões inovadoras nas quais "a maior parte do valor acrescentado da exploração tem que ficar em Portugal". Exactamente os mesmos argumentos que aqui há uns anos foram utilizados na Bolívia para justificar a exploração do lítio naquele país.

https://www.bloomberg.com/news/features ... hium-dream

Porém ainda hoje os Bolivianos continuam à espera do tal extraordinário valor acrescentado que lhes foi então prometido, sendo certo que se ainda esperam por eles é melhor que esperem sentados. E é exactamente isso que também vai suceder em Portugal.





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From: F. Pacheco Torgal
Sent: Monday, December 10, 2018 12:55
Subject: Ainda sobre o artigo do Catedrático João Duque

Ainda sobre as convicções do catedrático de finanças e gestão financeira, João Duque, plasmadas no seu artigo sobre os recursos naturais nacionais (vide email abaixo) que ele entende não devem poder em circunstância alguma deixar de ser explorados, pois que a economia nacional deve ter prioridade quase absoluta, é bizarro que aquele quase pareça convenientemente esquecer que há muitos países com muitos recursos naturais cuja exploração não os tornou ricos e é por isso que na literatura científica se fala mesmo da maldição dos recursos naturais para caracterizar esse fracasso.

https://dash.harvard.edu/bitstream/hand ... sequence=1

Há vários anos atrás para efeitos da escrita de uma certa publicação, https://www.springer.com/gb/book/9780857298911
tive de fazer uma análise de literatura sobre desastres ambientais associados a explorações mineiras, desses relembro apenas três ocorridos somente na Europa nas ultimas duas décadas:
https://en.wikipedia.org/wiki/Do%C3%B1ana_disaster
https://en.wikipedia.org/wiki/2000_Baia ... nide_spill
https://en.wikipedia.org/wiki/Ajka_alum ... t_accident

Chamo a atenção para o segundo caso ocorrido na Roménia quando se rompeu um dos aterros de contenção de um depósito de lamas de minas e foram libertadas para o rio Tisza 100.000 m3 de lamas contaminadas com cianeto, arsénico e outros metais. A 1 de Fevereiro de 2000 a contaminação chegou á fronteira com a Hungria, a 11 de Fevereiro à Jugoslávia e no fim do mês de Fevereiro ao Mar Negro, tendo elevadas concentrações de cianeto sido detectadas a 2000 Km de distância do local da descarga das lamas. E é exactamente isso que daqui a alguns anos (esperemos que mais tarde do que cedo) irá acontecer ao tal depósito de lamas localizado junto ao rio Zezere que foi referido no final do email abaixo.

Recentemente o Expresso afirmou que nos últimos dez anos cada Português ajudou a banca com 1800 euros
https://leitor.expresso.pt/diario/quart ... var-bancos assim sendo acho que não será pedir muito que desta vez cada Português seja chamado a compensar com 1 euro, os habitantes daquela localidade que leva o nome do Papa e que para ajudarem a economia nacional tem estoicamente suportado que a vista que alcançam da sua casa seja uma escombreira com centenas de metros de altura, que a ribeira que tem como sua seja há muitos anos um esgoto industrial e que como se tal não bastasse ainda tenham que conviver com concentrações de arsénico 20 vezes superiores ao valor legalmente admissível, vide artigo no link https://www.sciencedirect.com/science/a ... 2713001819






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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 9 de Dezembro de 2018 6:49
Assunto: Catedrático João Duque acha que os ambientalistas levam o país à falência

Ontem no Expresso o Catedrático João Duque, cuja obra científica referenciada na base Scopus abarca 9 publicações que já receberam 33 citações, nenhuma delas relacionada com ambiente, mostrou-se indignado pelo facto do país ter sido assaltado por uma febre ambientalista. Primeiro foram os malandros que boicotaram a exploração de petróleo no Algarve e agora que noticiou a imprensa descobriram o mineral raro turquesa (que serve apenas a superficial industria do luxo) no concelho do Fundão então não querem lá ver que o pessoal daquelas bandas está preocupado com eventuais poeiras e não percebe o potencial económico da coisa. Segundo se percebe pelo texto do catedrático ou há ambiente ou há economia, as duas coisas é que é difícil por isso as pessoas tem que se decidir e se querem ter dinheiro no bolso podem esquecer essa coisa do ambiente pois isso é praticamente um luxo de pobres. Escreve até, pasme-se, que na Alemanha (logo o país que tem os ambientalistas mais ferozes da Europa) eles não tem tantos pruridos com o ambiente e é por isso que naquele país tem elevados rendimentos.

Eu percebo que o catedrático João Duque perceba pouco de poeiras e outras minudências associadas á exploração mineira, acontece porém que os locais que ele critica no seu artigo, mesmo não sendo catedráticos sabem que não longe dali está a maior mina de tungsténio da Europa e na localidade mais próxima da mesma foram detectados níveis de arsénico 20 vezes superiores aos admissíveis (vide emails abaixo). Isto já para não falar que um desses depósitos com milhões de toneladas de lamas contendo alto teor de arsénico e sulfuretos se localiza junto do rio Zêzere e como é garantido que um Planeta que tem o hábito de tremer irá voltar a tremer seja daqui a 1 ano, daqui a 50 ou 100 o suficiente para que o referido deposito venha depositar-se no leito do referido rio e depois chegue depressa à barragem de Castelo de Bode, a mesma que abastece Lisboa, quando tal suceder será interessante ouvir o que dirá o referido catedrático, caso ainda esteja vivo, sobre as vantagens económicas da coisa.

É claro que pode admitir-se que isso seja aos olhos do catedrático João Duque coisa inócua mas nesse caso deve o mesmo aproveitar para ir lá à terrinha onde descobriram o tal mineral raro e demonstrar isso mesmo. E quando lá chegar peça que lhe tragam um copo de água com uma quantidade de arsénico 20 vezes superior ao admissível e beba a coisa de um trago para que assim todos possam confiar que a coisa é efectivamente inócua.

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