Fechar cursos de engenharia civil

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Torgal
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Fechar cursos de engenharia civil

Mensagem por Torgal » segunda set 09, 2019 9:12 am

Um Colega do Dep de Engenharia Civil da UCoimbra enviou-me ontem um email em resposta ao email abaixo dizendo que em face do número de ingressados na primeira fase "A nível nacional, 5 cursos chegariam. Os restantes podiam fechar".

Trata-se sem dúvida de uma ideia que tem tanto de original como de radical. Porque os quatro cursos que conseguiram captar mais alunos nos últimos três anos são por ordem decrescente os do IST, FEUP, ISEP e Nova, já o 5º curso mais procurado foi em dois anos o da UMinho e este ano o da FCTUC mas apenas por uma diferença de 1 aluno. Mas se tivermos em conta que no ano passado e também há dois anos o ISEL na primeira e segunda fase recebeu um número de alunos superior tanto ao da FCTUC como ao da UMinho, isso seria admitir a bizarra hipótese que seria este o quinto curso a manter aberto fechando-se em virtude da referida proposta os da UCoimbra e da UMinho.

Ou talvez ele estivesse a pensar (embora não o tenha referido) num critério de fecho face à classificação no ranking Shanghai que se traduz em Lisboa, Minho, Coimbra, Porto e Nova, mas nesse caso acho que tanto a UAveiro, como o ISEP, o ISEL (ou a UBI e a UTAD) não ficariam nada contentes com essa hipótese, já para nem referir que seria uma violação das escolhas dos alunos/clientes.





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De: F. Pacheco Torgal
Enviada: 8 de setembro de 2019 06:05
Assunto: Engenharia civil___Acesso ao ensino superior____Politécnico do Porto consolida-se como o terceiro curso mais procurado

Ficheiro em anexo. Pelo terceiro ano consecutivo o curso do Politécnico do Porto é o terceiro mais procurado. Atente-se no facto bizarro da eng civil UBI ter zero colocados ao mesmo tempo que o curso de arquitectura na mesma universidade ter 48 colocados. Provavelmente os alunos do secundário devem achar que a arquitectura serve para tudo menos para fins ligados ao mundo da construção. Alguém dizia a um orgão informativo que a culpa é do facto dos estudantes não gostarem de matemática nem de física e esse facto parecia ir ao encontro de um sentimento que consta é voz corrente entre os alunos do secundário: “É um curso muito difícil e não tem saída”. https://observador.pt/especiais/um-curs ... -extincao/ ou seja muitos outros cursos também não tem saída mas pelo menos são muito mais fáceis. E entre dois caminhos que levam à mesma meta de salários baixos parece ser fácil de perceber a escolha por aquele que é menos pedregoso.

Mas isso não explica porém que haja elevada procura de outras engenharias tão ou até mais difíceis que é a prova que os melhores alunos não estão interessados no curso de engenharia civil. O facto do Politécnico do Porto ter o 3º curso de engenharia civil mais procurado quando a nível nacional a preferência é por cursos universitários também ajuda a explicar esta fuga dos melhores alunos para outras engenharias. Note-se que as médias mais elevadas dos últimos colocados do curso de engenharia civil que ocorreram no IST e na UPorto foram respectivamente 13,0 e 12.7 muito distantes dos 18.6 da bioengenharia na UPorto, dos 18.8 de engenharia física tecnológica no IST ou dos 18.9 do curso de engenharia aeroespacial também no IST.

Espantoso é que até a Matemática o bicho papão dos estudantes Portugueses (ao contrário dos asiáticos)
https://www.jn.pt/nacional/interior/qua ... 83900.html agora até tem cursos cujo últimos colocados precisaram de média superior a 18.3 valores para neles ingressarem.

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