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Leilão de emprego na função pública

Enviado: domingo mai 12, 2019 4:58 pm
por Torgal
https://www.publico.pt/2019/05/12/econo ... do-1872357

Parece que vai finalmente acabar aquela "descriminação económica" que favorecia quem podia pagar 5000 euros para acesso ao tal curso que garante um lugar permanente nos quadros do Estado Português. Seja como for é de admirar como é que não houve ninguém que não tenha percebido que esse curso tinha um elevadíssimo potencial de negócio pois na ultima edição do mesmo ocorrida em 2015, para 200 vagas houve quase 1700 candidatos, o que mostra bem do valor do referido curso. Assim se quem fixou a propina de 5000 euros tivesse antes feito um leilão talvez houvesse candidatos disponíveis para pagar oito mil, 9 mil euros ou até quantia superior.

E é por isso também estranho que haja quem não tenha percebido que há muitas outras oportunidades de negócio que o Estado Português anda a desperdiçar. Desde logo e na sequência do email abaixo deveria o Estado Português leiloar o ingresso nos cursos com maiores médias a quem mais pudesse pagar. E até mesmo os candidatos com menores recursos líquidos sempre podem contrair um empréstimo junto da Caixa Geral de Depósitos nas modalidade vara (600.000 euros sem juros a pagar a 100 anos) ou na modalidade berardo (280 milhões a pagar se, quando e como quiser).




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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 4 de Maio de 2019 19:38
Assunto: O segredo para entrar no curso de Medicina

Depois do mediatismo do caso daquele colégio onde algumas centenas de alunos tiveram 19 e 20 valores a educação física e a nota mais baixa foi 18 valores o Expresso achou por bem ir investigar o fenómeno que foi consubstanciado hoje em reportagem nas duas páginas centrais do Caderno Principal daquele semanário.

Descobriu a jornalista do Expresso que o referido colégio já é tarimbado no fenómeno dos desvios estatísticos e por conta de tal ocorrência foi visitado em 2015 e 2017 pelos inspectores da IGEC. Infelizmente a acção dos inspectores resumiu-se a deixaram recomendações ao dito colégio. Uma para melhorarem os instrumentos de autoavaliação e outra para reflectirem sobre os tais desvios estatísticos, medidas essas que não custa acreditar devem ter suscitado larga risota entre os proprietários do referido colégio.

Segundo o Expresso o colégio tem como sócio um antigo Director-Regional Adjunto de Educação do Norte (um génio da educação portanto) e respectiva esposa, os quais são ainda sócios de outros colégios que utilizam a mesma táctica pedagógica do "desvio estatístico". Informa também o artigo do Expresso que este colégio num único ano conseguiu colocar 110 alunos no curso de medicina.

Sendo patente que a IGEC não consegue resolver rigorosamente nada ficando-se apenas por inócuas recomendações então mais não resta que recorrer a medidas radicais. Relativamente ao futuro e sendo conhecidos os "desvios estatísticos" que ocorrem nos ditos colégios privados é necessário descontar esse valor na média de acesso ao ensino superior, de todos alunos que sejam provenientes dos mesmos.

Já relativamente ao passado os alunos que não conseguiram entrar no curso de medicina (ou noutro que exija elevada média) porque foram ultrapassados por alunos deste colégio fariam bem em procurar reparação na justiça, intentando acção contra o Estado Português para que os admita naquele curso ou em alternativa os indemnize.