"Concorrência leal"

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Torgal
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"Concorrência leal"

Mensagem por Torgal » domingo mai 12, 2019 7:06 am

A secção de economia do Expresso continha ontem um interessante artigo do economista Ricardo Reis sob o título "Concorrência leal" (que é especialmente interessante em face dos emails abaixo) acerca da polémica que vai nas competições olímpicas por conta da introdução de limites de testosterona nas competições femininas que tem obrigado algumas atletas a tomar medicamentos para reduzir níveis excecionalmente elevados. E embora o tema seja interessante porque poderia figurar num jornal de factos mirabolantes é para mim interessante por mostrar que em pleno Séc XXI ainda haja polémicas destas. E porque não introduzir algumas inovações nos jogos olímpicos ? Se é compreensível que não haja adeptos para se voltar a reintroduzir a modalidade de tiro ao pombo que foi utilizada nos jogos de Paris no ano 1900 porque não admitir competições mistas campeão humano/animal ? O Michael Phelps contra um atum, um bacalhau ou um salmonete ? O Usain Bolt contra uma lebre, um galgo ou um cavalo ? É claro que teria que haver algumas modificações para diminuir a vantagem natural dos animais e proporcionar a tal "concorrência leal" que poderiam passar pela utilização de animais já com alguma idade e artrite reumatoide.





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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 14 de Dezembro de 2018 15:59
Assunto: "Escola Secundária...quer ser incubadora de campeões"

https://observador.pt/2018/12/13/escola ... -campeoes/

Parece que a doença das medalhas olímpicas vai custar muito mais a extirpar do que eu poderia algum dia ter imaginado. Que a tal escola de Rio Maior queira formar jovens que felizmente optam por fazer algo que evita que venham a fazer parte do tal grupo em rápido crescimento daqueles com excesso de peso ou do grupo de viciados em jogos de computador parece-me muito positivo, já que achem que ser campeões, tentando melhorar características que nos aproximam da espécie animal seja um objectivo que deva ser perseguido ou sequer mesmo aceitável no Séc XXI é que já me parece bastante lamentável para aqueles que é suposto serem o futuro deste país.

O famoso Michael Phelps admitiu que durante muitos anos a sua vida se resumiu a "swim, eat and sleep" consumia 12.000 calorias por dia https://www.telegraph.co.uk/sport/olymp ... -2008.html o equivalente à quantidade de calorias que necessitam 7-10 pessoas, tendo servindo esse desperdício de recursos unicamente para no fim se concluir que aquele ficou muito longe do desempenho de qualquer peixe. Num mundo de recursos limitados tal modo de vida parece-me por isso de uma absoluta anormalidade. E essa anormalidade raia o ultraje quando se está a falar de alguém de um país que consome muito mais recursos do que aqueles que era suposto consumir.

Em melhor sentido vai a nova formação a que o ISCTE pretende dedicar os seus esforços https://www.publico.pt/2018/12/13/mundo ... as-1854489 algo que me parece que faz muitissimo mais sentido em termos daquilo que devem ser as olimpíadas do Sec XXI



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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 4 de Novembro de 2018 18:03
Assunto: Porque é que Portugal paga muito mais do que outros países por uma medalha ?

Faz algum sentido que um país técnicamente falido pague mais do que pagam vários países muito mais ricos do que o nosso por uma medalha olimpica ? Faz sentido Portugal pagar 40.000 euros por uma medalha de ouro e a Alemanha pagar 20.000 euros ou o Canada pagar 12.900 euros ? E porque é que o mesmo Estado Português paga literalmente zero a algum cientista que faça importante descoberta científica ou que consiga tornar-se uma referência a nível mundial ? Será que é porque isso são feitos de pouca importância aos ollhos da nossa excelsa e incorruptível classe politica, ao contrário da maravilhosa possibilidade de podermos dizer que temos o Português (ou Portuguesa) que corre mais depressa ou que salta mais longe ou que consegue atirar uma bola de ferro a x metros ?




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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 5 de Outubro de 2018 13:30
Assunto: A República que idolatra embaixadores, politicos e militares e têm pouca consideração por investigadores

Interessante no dia de hoje é perceber que neste país entre os MILHARES de cidadãos que já foram homenageados pela República quase sete mil só nos mandatos dos três primeiros Presidentes a seguir ao 25 de Abril (Mário Soares-2505 medalhados, Jorge Sampaio-2374 medalhados, Ramalho Eanes-2005 medalhados) se contam muitos políticos, embaixadores e militares e onde o grupo dos investigadores científicos já homenageados constitui ínfima fracção.

Basta dar uma olhada na Ordem Militar de Cristo para se descobriram mais de 50 embaixadores, muitos juízes e políticos já investigadores talvez por lapso não descobri lá um único https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_ ... Portuguesa
mesmo a conhecida Elvira Fortunato só aparece na lista dos agraciados com a Ordem do Infante D.Henrique, https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_ ... ._Henrique a mesma distinção que também receberam a Maria Cavaco Silva, o Nuno Rogeiro, a Maria José Ritta, o Joe Berado e também esse ilustre Português, o monárquico António Sousa Lara que vetou a obra de Saramago e que mais tarde curiosamente chegou a ser arguido no caso da universidade Moderna na qualidade de Vice-Reitor https://www.publico.pt/2003/11/27/socie ... ca-1177089

É verdade que não é sonho de nenhum investigador ser medalhado mas antes o de fazer descoberta fundamental para o futuro da Humanidade, e muitos prefeririam receber em vez de uma tal ordem honorifica verba suficiente para financiar futuros trabalhos de investigação porém essa inversão de valores onde se homenageiam muitos a quem a esmagadora maioria dos Portugueses (por ignorância ou falta de informação) não conhece invulgares méritos em detrimento de investigadores que fizeram descobertas muito importantes para o bem comum diz muito do que é a República Portuguesa que hoje se celebra. Em boa verdade se se utilizasse para os investigadores critério similar ao que foi utilizado para muitos dos homenageados o Presidente da República passaria a maior parte do seu tempo a homenagear investigadores.

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