Como taxar os ricos ?

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Torgal
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Como taxar os ricos ?

Mensagem por Torgal » terça mai 07, 2019 6:00 am

Sobre a pergunta acima o conhecido economista Luís Cabral da Universidade de Nova Iorque defende que "a proposta mais promissora continua a ser a do imposto sobre o consumo". Mas esclarece que não se refere ao IVA nem a um imposto sobre vendas mas a um imposto sobre o valor do rendimento que não é investido. Independentemente daquele ser ou não o mais promissor parece-me muito promissor que os economistas andem preocupados com a questão pois é a prova que aquele grupo paga muito menos do que paga o grupo daqueles que trabalham por conta de outrem.




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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 11 de Janeiro de 2019 8:00
Para: ERC, Joana Pizarro
Cc: Manuel Carvalho
Assunto: Apresentação de queixa

Exmo Sr Presidente da ERC,
C/C Director do Público

O jornalista Manuel Carvalho, Director do Público, foi em 10 de Janeiro de 2019 autor de um editorial que nada tem de jornalismo mas que tem muito de activismo politico, em denegação do conteúdo do Artigo nº1 do Estatuto do Jornalista.

Escreveu o jornalista em editorial acessível no link https://www.publico.pt/2019/01/10/econo ... to-1857245 que "Ninguém, nem o Estado, tem o direito de saber se o senhor A ou a senhora B têm ou não têm mais de 50 mil euros em contas bancárias". Ou seja o Estado pode saber quanto aufere cada um de nós em rendimentos do trabalho, pode também saber quanto gastamos nas mais variadas rubricas inclusive em despesas de saúde, porém não pode nunca saber quanto temos no banco pois que isso é "um ataque à privacidade dos cidadãos".

Ou seja segundo se depreende para o jornalista o segredo bancário é um valor superior (embora como ensine o catedrático jubilado Vital Moreira o sigilo bancário nem sequer está consagrado na Constituição) mas o combate ao crime organizado, pois que o Director da Europol diz que o mesmo consegue com 99% de eficácia lavar dinheiro através da banca e também a possibilidade do apuramento de matéria que possa permitir criar condições para um dia criminalizar o enriquecimento ilícito já não é.

Desde de logo fica por explicar se o Estado não pode ter acesso a tal informação como é que detectará aqueles que possuem contas bancárias com milhões de euros e vivem do rendimento mínimo como por exemplo estes ? https://sol.sapo.pt/artigo/564208/tinha ... cebiam-rsi

E isso leva-nos aquilo que é na minha opinião um dos maiores embustes em que temos vivido, o da sacralidade de tudo o que não sejam os rendimentos do trabalho, quase parecendo que os rendimentos do trabalho são de origem criminosa mas todos os outros são de imaculada origem. E porém devia suceder exactamente o contrário, pois que nobres são os rendimentos do trabalho e espúrios são muitos outros rendimentos como os provenientes da escravatura, da agiotagem, do jogo ou da especulação financeira, pois que os criminosos não declaram nem pagam IRS.

E esse facto é especialmente grave num contexto em que muitos Portugueses não conseguem esconder do Estado os rendimentos do trabalho, como os funcionários públicos e outros ao contrário destes outros Portugueses https://www.publico.pt/2017/05/20/econo ... as-1772891 Neste contexto é pertinente recordar uma entrevista do famoso Thomas Piketty a uma rádio Portuguesa onde aquele fala de uma ameaça extremamente grave sobre o contrato social firmado nos países europeus.

Será que a teimosia do Sr.Trump em mostrar as declarações de impostos não são uma oportuna prova de como os bilionários deste mundo se safam das suas responsabilidades e da necessidade em reformar o actual sistema de impostos ? E porque é que não se reduz ao mínimo o imposto sobre o trabalho e se aumentam outros impostos nomeadamente, os impostos sobre o consumo de bens de luxo, o imposto sobre o capital e sobre as sucessões e doações ? Sendo por isso que os impostos devem apurar-se em função da riqueza de cada um e não dos rendimentos do trabalho. O que implica desde logo que o Estado dedique elevada atenção a todos esses outros rendimentos atenção essa que tanta indignação causaram ao jornalista Manuel Carvalho e que até se pode entender e aceitar enquanto cidadão mas nunca enquanto jornalista.

Existe por isso violação da alínea a do nº1 do Artº 14 dos deveres dos jornalistas em termos de informar com rigor e isenção. A infracção referida é especialmente grave por ter sido praticada num orgão informativo que é um líder de vendas. Compete por isso à ERC nos termos da alínea d) do Artº 7 dos seus estatutos assegurar que a informação prestada pela comunicação social seja pautada por critérios de exigência e rigor e condenar o jornalista Manuel Carvalho por violação dos deveres a que está obrigado.

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