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Autor Mensagem
 Assunto da Mensagem: Concurso para Associado que chegou ao Ministério Público
 Mensagem Enviado: Quarta Abr 24, 2019 8:37 am 
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cientista sempre presente
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Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
Mensagens: 997
Universidade/ Instituto: Minho
https://www.publico.pt/2019/04/24/ciencia/noticia/endogamia-academica-caso-concurso-professor-chegou-ministerio-publico-1870186

https://www.publico.pt/2019/04/24/ciencia/noticia/combater-endogamia-academica-1870166

O jornal Público dedica hoje as suas primeiras páginas (2-5) à endogamia académica, descrevendo um concurso estranho (como são quase todos na academia Portuguesa) que teve lugar na Universidade Nova e complementando a cobertura da matéria com umas opiniões avulsas, das quais reputo como "interessante" a do "lírico" investigador Hugo Horta, que convém recordar tem no seu currículo ter feito uns artigos em co-autoria com o actual Ministro Manuel Heitor, mas que tem também uma "medalha pouco lustrosa" que é o artigo, que comentei no email abaixo, que comparou a endogamia nas academias Portuguesa e Russa.



________________________________________________________________________
De: F. Pacheco Torgal
Enviada: 20 de fevereiro de 2017 05:11
Assunto: Um artigo científico eivado de ingenuidade e cinismo

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0040162515002061

Em anexo um artigo científico com um conteúdo bastante intrigante e até perturbador. Desde de logo a escolha da Rússia para termo de comparação é profundamente infeliz. Usualmente costumam fazer-se comparações com países que estão num estádio superior de desenvolvimento para que esse exercício permita compreender o que é necessário fazer para atingir um estádio similar.

É por isso que não se costuma comparar a ciência e tecnologia de Portugal com a de Angola, de Moçambique, de Cabo Verde, da Somália ou do Burundi. Resulta assim incompreensível que se tenha comparado Portugal a um país que pontua mal nos rankings do ensino superior, que apesar do seu tamanho têm menos Highly Cited Researchers do que Portugal, que tem um PIB per capita muito inferior ao de Portugal, um país onde enquanto alguns compram clubes de futebol no Ocidente e passeiam em iates de dezenas de milhões de dólares 20% da população Russa tenta sobreviver com menos de 3 (três) euros por dia.

Um país onde se tenta descriminalizar a violência doméstica mas muito pior é dirigido por alguém directa ou indirectamente implicado no assassinato de jornalistas e que alguns corajosos repórteres do Ocidente não têm medo de classificar como assassino, um país cuja academia assiste queda e muda aos atropelos de direitos humanos mais básicos. Poderá haver algo pior para qualquer país do que uma academia cobarde que contribui para formar mais cobardes ?

Não admira por isso que o “cientista” Paolo Machiarini envolvido num escândalo científico sem precedentes o qual envolve a morte de pelo menos seis pacientes e que já conduziu à demissão de dois jurados do comité do prémio Nobel (na Suécia há consequências para tais actos) esteja agora a trabalhar numa universidade da Rússia, pois naquele país pelos vistos a falta de ética não é um problema e a endogamia muito menos.

No referido artigo foram entrevistados dez académicos Portugueses (ou apenas três ou quatro pois o artigo é dúbio nesse aspecto) com a qualidade de "current and former policymakers" não se percebendo desde logo esta opção por dar preferência aqueles que enquanto "policymakers” fizeram rigorosamente nada para tentar resolver o problema sendo por isso altamente improvável que aparecessem agora a dizer que acham a endogamia um problema.

Pelo que se as entrevistas tivessem sido feitas a outros colegas como por exemplo o Professor Catedrático Jubilado Jorge Calado do IST que no ano passado disse ao semanário Sol que muitos Professores Universitários são selecionados tendo como único critério não irem fazer sombra aos que já lá estão, ou o Professor Catedrático Orlando M. Lourenço também da Universidade de Lisboa​ o qual escreveu ​que endogamia significa corrupção e que em geral é a obediência, quando não a mediocridade, que são recompensadas, ou o Professor Catedrático Armando Machado da Universidade do Minho que escreveu que "A progressão na carreira universitária portuguesa depende ainda em larga medida de padrões de obediência e subserviência”. Assim partilhando da opinião dos Colegas Espanhóis reproduzidas no email abaixo é muito provável que o artigo tivesse de ter conclusões muito diferentes. Reproduzo abaixo algumas pérolas dos referidos entrevistados que se encontram plasmadas no artigo em anexo.

“I believe that departments of social sciences and humanities do not see academic inbreeding as problematic, but rather as added value. I have been in departmental discussions where it was strongly argued that academic inbreeding is a major strength of the institution.”

“There are some features that make national mobility in the academic job market difficult. One is that it is not easy to find homes to rent.”

“We are beginning to have a large number of doctorates, and unlike in the past, an opening for a vacancy for an academic post today has one or two dozen applicants from several universities, both national and foreign. The many highly qualified applicants and a pressure for quality in scientific production have undermined academic inbreeding."

Seria interessante saber quais são os departamentos de ciências sociais e humanidades onde se defende que a endogamia representa uma vantagem competitiva interna. É impressionante que haja quem acredite que é a falta de casas para arrendar que pode explicar o facto de haver cursos em Portugal com percentagens de endogamia superiores a 90% e até de 100%. O que sucede em muitos concursos principalmente para lugares de Associado e Catedrático é que como escreveram os Catedrático Vital Moreira e Orlando Lourenço muitos candidatos já não perdem sequer tempo a concorrer porque sabem que é uma pura perda de tempo convictos que estão que os concurso são abertos para alguém em particular. Já o colega autor do terceiro comentário vive por certo numa redoma e nunca ouviu falar por exemplo do tal concurso com 38 candidatos (alguns com prémios Gulbenkian, vários investigadores FCT, alguns com currículos longos tanto cientifica como pedagogicamente) e onde o candidato selecionado foi precisamente aquele que não tinha nenhum artigo científico nem atividade científica conhecida na área do concurso e que motivou uma corajosa mas inconsequente carta aberta subscrita por vários colegas no ano passado.


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