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 Assunto da Mensagem: Acabar com o imposto sobre o trabalho
 Mensagem Enviado: Quinta Jan 10, 2019 8:43 pm 
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cientista sempre presente
cientista sempre presente

Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
Mensagens: 769
Universidade/ Instituto: Minho
O jornalista Manuel Carvalho, que como se pode ler aqui https://www.publico.pt/autor/manuel-carvalho é Director do Público desde Julho de 2018 é hoje autor de um editorial que quase parece um manifesto encomendado. Pode com elevada probabilidade não o ser mas nesse caso isso ainda é mais grave pois que nesse caso faria melhor o jornalista em dedicar-se à politica e não a uma actividade que o Artigo nº1 do Estatuto do Jornalista relaciona com "selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões". É verdade que a minha opinião está irremediavelmente contaminada por alguma parcialidade por conta de um artigo do mesmo jornalista de fim de Maio de 2018 onde aquele escreveu umas bizarras pérolas que misericordiosamente classifico de pouco iluminadas para não ceder á tentação de as catalogar como idiotas, versando uma demente tese sobre os malandros dos investigadores que não querem contribuir para a riqueza do país e as quais comentei no email abaixo, ainda assim fica o comentário sobre o dito editorial de hoje.

Escreveu o jornalista em indignado editorial acessível no link https://www.publico.pt/2019/01/10/econo ... to-1857245 que "Ninguém, nem o Estado, tem o direito de saber se o senhor A ou a senhora B têm ou não têm mais de 50 mil euros em contas bancárias". Ou seja o Estado pode saber quanto aufere cada um de nós em rendimentos do trabalho, pode também saber quanto gastamos nas mais variadas rubricas inclusive em despesas de saúde, não pode nunca porém saber de acordo com o jornalista quanto temos no banco. Se o Estado não pode ter acesso a essa informação como é que descobre as familias que tem milhões de euros em contas bancárias e vivem do rendimento minimo como por exemplo esta aqui ? https://sol.sapo.pt/artigo/564208/tinha ... cebiam-rsi

E isso leva-nos aquilo que é na minha opinião um dos maiores embustes em que temos vivido, o da sacralidade de tudo o que não sejam os rendimentos do trabalho, quase parecendo que os rendimentos do trabalho são de origem criminosa mas todos os outros são de imaculada origem. E porém devia suceder exactamente o contrário, pois que nobres são os rendimentos do trabalho e espúrios são muitos outros rendimentos como os provenientes da escravatura, da agiotagem, do jogo ou da especulação financeira, pois que os criminosos não declaram nem pagam IRS.

E esse facto é especialmente grave num contexto em que muitos Portugueses não conseguem esconder do Estado os rendimentos do trabalho, como os funcionários públicos e outros ao contrário destes outros Portugueses https://www.publico.pt/2017/05/20/econo ... as-1772891 E é por conta deste triste modo de pensar que nunca neste país se conseguirá criminalizar o enriquecimento ilícito !

Será que a teimosia do Sr.Trump em mostrar as declarações de impostos não são uma oportuna prova de como os bilionários deste mundo se safam das suas responsabilidades fiscais e da necessidade em reformar o actual sistema de impostos ? E porque é que não se acaba com o imposto sobre o trabalho e se aumentam outros impostos nomeadamente, os impostos sobre o consumo de bens de luxo, o imposto sobre o capital e sobre as sucessões e doações ? Será que é porque os rendimentos do trabalho da maioria são muito mais fáceis de "caçar" ?

Para concluir entendo pertinente recordar uma entrevista do famoso Thomas Piketty a uma rádio Portuguesa onde aquele fala de uma ameaça extremamente grave sobre o contrato social firmado nos países europeus, entrevista essa onde aquele afirma: "Não é normal receber 50 mil euros ou 100 mil euros de rendimentos do trabalho, e sobre eles tem de pagar impostos pesados e ainda Segurança Social, e se receber um milhão de euros ou 10 milhões de euros sem trabalhar em herança não pagar nada" https://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?did=185581




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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 23 de Maio de 2018 8:50
Para: F. Pacheco Torgal
Assunto: Os investigadores: Uma malandragem que só quer tacho

A página 44 da versão impressa do jornal Público de hoje contém extenso artigo do jornalista Manuel Carvalho sobre o Manifesto para a Ciência, curiosamente o mesmo Manifesto também assinado pelo próprio Ministro Manuel Heitor.

O artigo que se inicia logo com profunda pérola "a ciência é uma questão demasiado fundamental para ficar nas mãos dos cientistas" passa rapidamente a apelidar o Manifesto de "secreção corporativa", "proposta de contrato colectivo de trabalho" e ainda "documento dominado por discurso sindical. https://www.publico.pt/2018/05/23/cienc ... 831237/amp

Talvez o jornalista não tenha lido o mesmo Manifesto que eu ou talvez ele tenha lido lá somente aquilo que lhe interessou ler. Seja como for é desde logo interessante constatar a mudança narrativa. Antes no tempo da troika dizia-se que a Ciência estava a ser atacada e agora diz-se que são os cientistas que querem explorar o país ! Bem dizem que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. E que bela farsa que esta é. Onde é que andam aqueles jornalistas que ainda há poucos anos diziam que amavam a ciência ?

Escreve o jornalista que os (malandros) dos doutorados não querem ir trabalhar para as empresas e que a carreira de investigador se tornou uma carreira de funcionários públicos. É claro que ele não diz (porque não sabe ou não lhe interessa) quantos investigadores existem efectivamente integrados em carreira de investigador como funcionários públicos. Também não diz qual a percentagem de doutorados selecionados para receber uma bolsa nem o Presidente do IST referido no mesmo artigo o informou a esse respeito pois o que interessa é passar para a opinião pública a ideia que há muitos e até em excesso, milhares até, pasme-se que querem tornar-se funcionários públicos. É um discurso que na verdade não foge muito daquele protagonizado pelo jornalista e SubDirector do Expresso que de forma muito mais sucinta e expedita escreveu que "não é de Professores doutorados ou investigadores que o Estado têm falta".

A parte curiosa de que não fala este jornalista, nem aquele outro do Expresso, é que não há emprego nas empresas para doutorados a não ser aquele pago a pouco mais do que o ordenado mínimo e para funções que nada têm que ver com investigação. E também que muitas empresas não estão interessadas em contratar doutorados, nem se a Europa lhes financiar parte do vencimento, como se comprovou pelo facto de programa de financiamento nesse sentido não ter tido candidaturas suficientes. Será que isso tem que ver com o facto da maioria do tecido empresarial Português ser composto por empresários com o 9º ano de escolaridade em negócios de baixa tecnologia e sem capital suficiente para coisa nenhuma muito menos para financiar estratégias de investigação ? Talvez mas isso é coisa que não incomoda o jornalista porque a especialidade dele não é essa. A especialidade dele é dizer que lá fora há muitos investigadores em empresas e isso chega-lhe não necessitando de perder tempo em saber que empresas há lá fora que não existem em Portugal e porque é que isso é assim.

O que é bizarro neste contexto é saber o que se poderá ter passado pela cabeça do Sr. Reitor da Universidade de Lisboa, quando aquele disse recentemente que se ia empenhar em acabar com a carreira de investigação como se comentou aqui

viewtopic.php?f=8&t=8009 deixando criar na opinião pública a ideia que efectivamente as universidades têm investigadores em excesso. Com amigos destes os investigadores não precisam de inimigos.

A realidade porém é outra que nada têm que ver com os milhares de doutorados que as universidades formam todos os anos. Uma pequena parte desses doutorados vive há vários anos com bolsas e recentemente foi aprovada legislação que lhes dá direitos, os mesmos direitos que têm muitas outras classes profissionais. Porém essa legislação não agrada aos senhores Reitores e portanto trataram de inventar narrativa dizendo que querem que as universidades efectivem milhares de doutorados. Algo que não corresponde minimamente à verdade.

O que é certo é que os investigadores que as universidades não aproveitarem outros países aproveitarão.

Esses investigadores talvez um dia voltem a este país quando cá deixarem de ser vistos como os parasitas da nação, o mesmo país onde a única coisa que realmente interessa é a bola.

Uma sugestão final ao jornalista Manuel Carvalho, informe-se aqui
https://observador.pt/opiniao/sobre-o-c ... t-de-2017/ sobre o inferno em que se tornou a ciência em Portugal, pois talvez isso o ajude da próxima vez que quiser escrever sobre um assunto do qual conhece muito pouco pois se como diz "a ciência é uma questão demasiado fundamental para ficar nas mãos dos cientistas" pode ter a certeza que é ainda mais fundamental para ficar nas mãos de jornalistas que conhecem pouco sobre ela


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