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 Assunto da Mensagem: A investigadora que não quer ser avaliada
 Mensagem Enviado: Domingo Ago 12, 2018 3:28 pm 
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cientista sempre presente
cientista sempre presente

Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
Mensagens: 535
Universidade/ Instituto: Minho
Alguns académicos que chegaram à nomeação definitiva da forma brilhante descrita no email abaixo pelo Professor e Engenheiro Rui de Carvalho do IST, inventaram uma bizarra narrativa segundo a qual investigadores que ganharam inúmeros concursos, inclusive concursos com percentagens de rejeição de 90% (como o concurso investigador FCT) não querem ser avaliados. Abaixo link para o CV de uma dessas investigadoras, Sónia Carabineiro de seu nome, https://lsre-lcm.fe.up.pt/person/42, doutorada há 17 anos e ainda com um contrato precário. Note-se que há na academia quem se tenha doutorado há menos tempo e já seja catedrático, e não estou só a falar daquela professora que chegou a catedrática 5 anos depois de se ter doutorado.

A pergunta que merece ser feita é a seguinte, numa altura em que por cá só falta dizerem que os investigadores são uns calões que só querem um tacho, mesmo quando fizeram em poucos anos aquilo que muitos professores não fizeram em dezenas de anos, qual a probabilidade desta investigadora se candidatar a uma instituição estrangeira assim conseguindo melhores condições de investigação e um vencimento muito superior ao que por aqui lhe pagam ?

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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 31 de Julho de 2018 15:58
Assunto: O polémico artigo do catedrático Tito Lourenço hoje no Público

https://www.publico.pt/2018/07/31/cienc ... os-1838924

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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 28 de Julho de 2018 8:55
Assunto: Expresso___"O feudo do Reitor"

https://estatuadesal.com/2018/07/28/o-feudo-do-reitor/


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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 18 de Julho de 2018 19:34
Assunto: Professor e Engenheiro denuncia hipocrisia instalada no IST

Abaixo email do Professor e Membro efectivo da Ordem dos Engenheiros Rui José de Sousa Carvalho em resposta a email dos Presidentes dos departamentos do IST, que foi divulgado pelo Núcleo de Investigadores do IST. A sua leitura dispensa quaisquer comentários excepto talvez a revisitação deste post https://forum.bolseiros.org/viewtopic.php?f=8&t=8009 de Maio passado (já visualizado largas centenas de vezes) por conta do trecho abaixo "escravizar pares seus na docência". O Professor e Engenheiro Rui de Carvalho só podia mesmo ser um Militar por ter escrito um tal texto, o qual agora lhe valerá o ódio de muitos mas que lhe valerá também o respeito, a estima e a admiração de muitos outros, entre os quais me incluo.

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De: Rui de Carvalho
Data: 15 de julho de 2018, 21:43:10 WEST
Para: Pedro Coelho
Cc:
Assunto: Re: PREVPAP - Comunicado dos Presidentes de Departamentos do IST
Caros Membros da Comunidade de Docentes e Investigadores do IST.

Nos anos oitenta do século passado, houve um conjunto de Professores que iniciaram a sua carreira académica como Assistentes, que sendo, doutorandos, foram contratados para a docência, de forma administrativa, por proposta do Orientador do seu doutoramento. Eu próprio teria entrado assim na Carreira Docente Universitária, se não tivesse declinado por, na altura, ter escolhido enveredar por uma carreira militar na Força Aérea.

Estes Srs Professores, logo que acabaram o seu doutoramento, entraram, paulatinamente, para o Quadro Docente, como Professores Auxiliares, através de Concursos, onde os critérios de avaliação foram escolhidos à medida, só faltando, mesmo, constar o seu nome.

Entretanto a Universidade mudou. Esta mudança trouxe uma nova forma de recrutamento de professores, caracterizando-se por não garantir qualquer estabilidade futura, ao contrário do que sucedeu com os Professores acima referidos, que conseguiram um vínculo perene para a sua vida útil.

Estes Srs Professores aperceberam-se que:
"A precariedade no ensino superior público emergiu e agravou-se por via de um conjunto de circunstâncias – de que se destacam as limitações ao financiamento e autonomia das instituições, a persistência – para lá do razoável – de disposições legais enquadradas no Estatuto do Bolseiro que incentivaram o prolongamento de vínculos precários, e a utilização – frequentemente abusiva – destas disposições pela generalidade das instituições do ensino superior."

Ao contrário dos Professores supra mencionados, que nunca deram mais de 6 horas lectivas, em cada semestre, diminuindo a sua carga horária, à medida que iam subindo na carreira, até chegarem à Cátedra, (quando, à custa de exercerem funções de gestão, se eximiram de dar aulas), os bolseiros e os Professores Convidados, (outra forma de recrutamento precário), chegam a leccionar mais de 12 horas lectivas, ou seja, excedendo o que o ECDU prevê, com uma exígua remuneração, sem enquadramento legal, chamada Complemento de Bolsa, (já que a Bolsa se destina exclusivamente a financiar os trabalhos de investigação), no caso dos Bolseiros, ou sob a pressão de não verem renovados os seus contratos, no caso dos Professores Convidados.

Estes Professores de vínculo contratual extremamente precário, desempenhando as suas funções docentes, ano após ano, tornaram-se uma forma de colmatar uma necessidade permanente das Instituições Universitárias, a troco de vencimentos completamente desajustados e de uma forma ilegal, da carga horária que têm de praticar.

Finalmente, este Governo, impelido pelas forças partidárias que o apoiam no Parlamento, decidiu por um fim a esta situação completamente inusitada no século XXI, num país que se diz desenvolvido, de completa escravatura de pessoas com as mais elevadas habilitações, desenvolvendo um Programa de Integração destes Professores num enquadramento profissional adequado às funções que desempenham à vários anos.
Incompreensivelmente, estes Srs Professores, que nunca se submeteram a um concurso contratual para entrada na sua vida profissional, vêm, agora dizer, "que a emergência de um dispositivo como o PREVPAP institui um modelo meramente administrativo de integração nas carreiras, pervertendo o principio geral de que para todos os lugares e carreiras da função publica as admissões e progressões devem ser feitas por concurso que garanta a admissão e progressão com base na qualidade do desempenho."

E ainda, estes Srs Professores, "como responsáveis por unidades orgânicas que integram dezenas ou centenas de professores e investigadores, vemos com apreensão a integração em carreiras por esta via administrativa e injusta, que poderá conduzir à estigmatização dos seus beneficiários". Ou seja, estes Srs Professores, que entraram na Carreira Docente Universitária de uma forma que consideram injusta, portanto, não querem que a situação que consideram injusta, de que gozam há vários anos, se aplique a outros.

Estes Srs Professores concordam que "todos aqueles que têm ou tiveram responsabilidades de gestão e coordenação no ensino superior e investigação – incluindo governantes, professores e investigadores – beneficiaram de alguma forma dos sucessivos adiamentos à revisão desta situação", e, portanto, querem manter o “status quo”, para continuarem a beneficiar dela.

É também interessante o argumento de que "no caso das universidades, o PREVPAP põe em causa a sua viabilidade económica e a sua autonomia científica, pedagógica e administrativa." Quer isto dizer que, para este Srs Professores, as universidades só sobrevivem económica e financeiramente, se continuarem a escravizar pares seus na docência.

Mas mais interessante é o argumento de que "impor às universidades que prescindam de escolher os melhores professores e investigadores para integrar os seus quadros é hipotecar o futuro do ensino superior, dos seus alunos, professores e investigadores”. Mais uma vez, estes Srs Professores esquecem-se que os Professores Convidados já foram avaliados e considerados os melhores para as funções que desempenham, ao contrário deles, que entraram na Carreira Docente sem se saber se, efectivamente, eles seriam os mais habilitados.

Na falta de argumentos substantivos no apoio à sua causa, estes Srs Professores não se abstêm de recorrer à falácia, quando afirmam que, para suprir a falta sistémica de professores, o IST abriu "cerca de 200 concursos de carreira". Os Srs Professores “esqueceram-se” de dizer que só metade destes concursos se destinou à admissão de novos professores, e que os 200 concursos foram realizados ao longo de cinco anos, ou seja, foram admitidos 20 professores novos, por ano. 20 professores, por ano, num Quadro Docente com mais de 800 professores, não chega, nem sequer de longe, para suprir a atrição provocada pela diáspora que tem acontecido para Universidades estrangeiras, (que acolhem, de braços abertos, professores com tão elevadas competências), e pela saída daqueles que atingiram o final da sua carreira.

Conclusão. Srs Professores, deixem-se de ter atitudes discricionárias, em relação àqueles que com o seu esforço muito acima da remuneração que auferem e em circunstâncias de total abuso e exploração, (circunstâncias que os Srs Professores nunca admitiriam para si), têm mantido as universidades capazes de poderem exercer a sua actividade de uma forma contínua e equilibrada e recebam os novos professores como vossos pares que são com todo o mérito.

Rui José de Sousa Carvalho, Prof. Doutor
Coronel Engenheiro Aeronáutico (Ref.)


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