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 Assunto da Mensagem: O vice-reitor explica
 Mensagem Enviado: Segunda Jul 02, 2018 7:39 am 
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cientista assíduo
cientista assíduo

Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
Mensagens: 282
Universidade/ Instituto: Minho
No Sábado passado um certo vice-reitor de universidade que prefiro não identificar, pois que em face da noticia em causa, me envergonho de me lá ter licenciado no inicio da década de 90, resolveu dizer numa certa imprensa paga maravilhas do ranking QS (aquele ranking comentado nos emails abaixo) e muito pior do que isso explicar que aquela universidade é uma das contribuidoras para os lucros da empresa que elabora tal ranking para assim poder ter direito a uma série de estrelas.

Explica o vice-reitor que o pessoal da firma que elabora o ranking, gente que sabe de rankings a potes e como bem subir neles, deu a receita após ter recebido o pagamento (ou depois já que o artigo não é claro neste detalhe) depois a Universidade aplicou a receita, voltam os tais especialistas para nova auditoria e toma lá 5 estrelas, confirmadoras de que se atingiu o firmamento da qualidade universitária. Note-se que estas 5 estrelas não garantem que noutros rankings a referida universidade não possa descer em vez de subir, mas isso é pormenor irrelevante pois o ranking da QS é que conta até porque têm estrelas e os outros não.

Desde logo é caricata a assunção que uma universidade como aquela onde há especialistas de craveira internacional nas mais diversas áreas não sabe qual a receita para se subir num ranking. Sabendo-se também que há rankings de elevada qualidade que fazem o serviço de borla é espantoso que haja quem não se importe de pagar para estar em ranking de baixa qualidade. Talvez seja um caso de dinheiro a mais ou inteligência a menos. Ou o inverso. Se trabalhasse naquela universidade sentir-me-ia enxovalhado pelo acto e quero crer que aqueles que naquela instituição têm desempenho de elevadíssima qualidade não merecem que a sua reputação seja enxovalhada porque associada às estrelas sem brilho daquele ranking.

Acho importante ressalvar que nos comentários acima parti sempre do principio que a verba que a referida universidade pagou à firma que elabora o tal ranking foi verba que não saiu do Orçamento de Estado. Tivesse eu conhecimento ou a profunda convicção que um milésimo de um cêntimo do dinheiro dos meus impostos tivesse sido utilizado no referido pagamento e teria que ampliar ainda mais o meu direito de opinião para ir de encontro ao vertido naquele Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça 3017/11.6TBSTR.E1.S1 onde se escreve sobre a crítica contundente, sarcástica, mordaz, com uma carga exageradamente depreciativa ou caricatural e com o uso de expressões agressivas ou virulentas pois este país não merece ter responsáveis universitários que acham que os dinheiros públicos são para ser gastos com tanta falta de inteligência. Se é assim que se gasta o dinheiro nas universidades imagine-se o que se fará noutras instituições públicas onde não existe sequer um milésimo da massa cinzenta !​

Para terminar e a custo zero aproveito para dar conselho ao referido vice-reitor para subir nos rankings. Trate de reduzir a endogamia pois é a diversidade que contribui para o impacto como se explica abaixo

Wagner, C. S., & Jonkers, K. (2017). Open countries have strong science. Nature News, 550(7674), 32.
Clauset, A., Larremore, D. B., & Sinatra, R. (2017). Data-driven predictions in the science of science. Science, 355(6324), 477-480.

E no entretanto enquanto não conseguir reduzir a endogamia peça aos professores e investigadores da sua universidade que tentem colaborar com professores e investigadores das melhores universidades do mundo. Como alguns já o fazem é só perguntar-lhes a receita pois estou certo que eles não lhe cobrarão nada por ela.


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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 22 de Junho de 2018 6; :41
Assunto: Fake News___Univ. Nova de Lisboa é a 1ª melhor universidade "jovem" do Mundo

https://www.publico.pt/2018/06/21/socie ... pa-1835380

Infelizmente o Público (à semelhança do Expresso, email abaixo) continua apostado em fake news ou neste caso em fake rankings. Note-se que no titulo acima foi retirado o algarismo 5 e trocado a palavra Europa por Mundo para mostrar que o ranking QS dizer que a Nova é a melhor 15ª jovem na Europa vale exactamente o mesmo que dizer que é a primeira jovem universidade do Mundo. Esperemos que em breve a empresa inove a faça ranking sobre as universidades criança ou as universidades de meia idade. O fake ranking diz que se baseia em questionários para a reputação da universidade, em questionários para os empregadores, citações e h-índex. E se as duas últimas podem de facto se provadas e comprovadas de forma independente ninguém pode dizer o mesmo das duas primeiras variáveis. Por outro lado como a empresa que faz o ranking vende serviços de aconselhamento por 30.000 dólares às instituições sobre como devem subir no ranking a credibilidade do ranking está irremediavelmente comprometida pois seria o mesmo que admitir que as agencias que dão ratings de divida ao mesmo tempo vendiam aos governos conselhos sobre como receber melhor notação. Mais informações sobre o embuste aqui https://riviste.unimi.it/index.php/roar ... /view/6446 Estes factos porém não parecem incomodar nem o Público nem o Expresso.

O que é particularmente intrigante é que haja tantas universidades desesperadas e com os bolsos cheios que contribuam para que uma ideia que em 1990 saiu da cabecinha de um aluno Italiano enquanto projecto de MBA http://www.qs.com/author/nunzio/ o tenha tornado milionário com receitas anuais de vários milhões de euros. E mais estranho é que jornalistas que deveriam ajudar a separar o trigo do joio informativo se demitam dessa função fazendo precisamente o contrário.


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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 27 de Março de 2018 7:10
Para: psg@expresso.impresa.pt
Cc: rcosta@expresso.impresa.pt
Assunto: FW: Expresso__Entrevista ao Reitor da U.Porto

Caro Director do Expresso

de forma muito simpática o jornalista Valdemar Cruz respondeu ao meu email. Diz que não houve espaço para colocar as palavras "ranking QS" numa peça onde a mancha de texto tinha quase o mesmo tamanho das várias imagens relativas à figura do Reitor da UPorto. Como é evidente tive de elucidar a comunidade científica, enviando email para lista onde tenho aprox. 10.000 contactos com o seguinte texto:

O ranking QS (que o jornalista do Expresso, depois acabou por revelar, alegando que lhe faltou o espaço no artigo para colocar a informação de duas palavras relativas ao nome do ranking, uma alegação muito intrigante pois que grande parte da entrevista era constituída por várias fotografias do Sr. Reitor da Universidade do Porto), é o tal ranking que é conhecido por andar a vender estrelas às universidades que as queiram e as possam pagar e é o mesmo sobre o qual Simon Marginson, director do Centre for Global Higher Education da UCLondon http://www.researchcghe.org/about/manag ... marginson/ e também Editor em chefe da revista internacional Higher Education publicada pela Springer, disse as seguintes e muito esclarecedoras palavras:

“both the Times Higher Education and QS rankings is junk because they both are multi-indicator rankings that use arbitrary weights and freely mix objective and subjective data in an incoherent fashion"

Também no relatório Rauhvargers, A. (2013). Global university rankings and their impact: Report II. Brussels: European University Association. se pode ler o seguinte:
"QS admits that a university may occasionally be nominated as excellent and ranked in a subject in which it “neither operates programmes nor research"

E é por isso que alguns menos diplomáticos como o David Blanchflower, sexagenário professor de economia no Darthmouhth College, não se coibe de chamar a este ranking
"a load of old baloney".


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