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 Assunto da Mensagem: tudo farei para acabar com a carreira de investigação
 Mensagem Enviado: Domingo Maio 20, 2018 5:58 am 
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cientista assíduo
cientista assíduo

Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
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Universidade/ Instituto: Minho
Recebi um email de um colega da ULisboa, que não identifico porque não recebi tal autorização, mas cuja identidade é conhecida do Snesup e da ABIC, sobre recente discurso do senhor Reitor da ULisboa onde aquele disse que em Harvard não há investigadores mas somente professores e que pela sua parte tudo fará para acabar com a carreira de investigação, discurso acessível aqui
https://www.youtube.com/watch?v=c5jGL6mqwnc

Antes de comentar os factos que aquele Colega achou chocantes olhemos antes para outros factos do referido discurso que servem como comprovativo introdutório sobre a qualidade do mesmo. Ao minuto 31 diz o Sr. Reitor que em 2016 a Universidade de Lisboa estava à frente de todas as Universidades Italianas e Espanholas no ranking Shangai. Este facto porém não corresponde minimamente à verdade porque no referido ano e no referido ranking a Univ. de Lisboa estava no grupo 150-200, o mesmo grupo onde estavam a Univ. Sapienza e a Univ.Barcelona e nesse grupo a ULisboa até aparece abaixo daquelas e não é por mero acaso. Já sobre as pérolas que envolvem a universidade de Harvard é bom saber que o Sr. Reitor têm elevadas ambições para a Universidade de Lisboa, infelizmente parecem ambições na mesma linha daquele conhecido sapo que tentou imitar um boi e que como todos sabemos não acabou bem.

Curiosamente nunca preocupou o Sr. Reitor que a percentagem de endogamia da universidade que "dirige" esteja muito longe da Universidade de Harvard. http://www.dgeec.mec.pt/np4/EstatDocent ... demica.pdf Se a endogamia por cá até choca o Sr.Ministro que publicamente a considerou inadmissível em Harvard era garantido que dava direito ao despedimento daqueles que nada fizeram para a impedir. Se alguma coerência houvesse o Sr. Reitor da ULisboa (e também outros) tinham-se demitido no mesmo dia em que o Ministro Manuel Heitor se pronunciou sobre a endogamia daquelas unidades orgânicas que fizeram o pleno ou que são conhecidas como o clube do bolinha, aqui só entra quem é da casa. Ou seja relativamente a Harvard o Sr. Reitor só olha para aquilo que lhe dá jeito. O que não dá jeito é como se não existisse.

Desde logo é muito estranho que o Sr. Reitor compare a ULisboa a Harvard quando não consegue sequer que a sua universidade figure sequer no ranking das 100 mais inovadoras da Europa https://www.reuters.com/article/us-emea ... SKBN1HW0B4

É verdade que de Harvard não conheço tanto como o Sr. Reitor mas conheço alguma coisa de algumas universidades da Suécia onde há professores sexagenários a concorrer e ganhar bolsas da ERC e a escrever artigos em nome individual sem explorar o trabalho de bolseiros que é coisa que por cá há pouco e já nem falo daquele milhar de professores que a DGEEC diz que não estão integrados em nenhuma unidade de investigação, mas que o Sr. Reitor diz que nunca ouviu falar, pois como ele diz no seu discurso não conhece nenhum professor que não faça investigação, isto muito embora haja no documento do link abaixo várias centenas (355 ETI) nessa condição e que pertencem curiosamente à Universidade de Lisboa
http://www.dgeec.mec.pt/np4/392/%7B$cli ... desFCT.pdf

A verdade que o Sr. Reitor têm dificuldade em reconhecer é que a academia Portuguesa tem elevada diversidade. Há por lá raros professores de elevada craveira como o conhecido Sobrinho Simões que fzem o pleno em termos de pedagogia e de liderança no campo da investigação, há também por lá muitos professores com elevadas capacidades pedagógicas mas sem capacidade para fazer investigação, há ainda excelentes professores com elevada capacidade de investigação mas pouco ou nenhum interesse pela docência, de quem os alunos não sentem falta e muito menos saudade e até há na academia Portuguesa quem não tenha qualquer capacidade pedagógica nem nunca sequer tenha dado mostras de ter especial inclinação para a investigação, que ninguém percebe como é que chegaram à nomeação definitiva e porém lá se vão aguentando dando as suas aulinhas e conseguindo até por vezes que o nome deles apareça em artigos onde fizeram nada.

É claro que se poderia em tese admitir que deveríamos levar em boa conta os conselhos do Sr. Reitor da Universidade de Lisboa porque lidera universidade infalível onde os mais altos padrões são prática quotidiana e constituem farol para a restante academia. Poder podia mas é sempre preferível olharmos menos para discursos de circunstância de quem têm verbo fácil e mais avisado concentramos a nossa atenção nos factos. E alguns dos factos que interessam são por exemplo os abaixo descritos:

Como este catedrático da ULisboa que disse que os professores são contratados para não irem fazer sombra aos que já lá estão https://sol.sapo.pt/artigo/520326/jorge ... o-valores-
Ou como por exemplo esta brilhante pérola da ULisboa que dita que "a justificação das propostas de abertura de concursos e/ou dos critérios/pesos adotados na elaboração dos editais deve ser acompanhada dos curricula vitae de potenciais candidatos"
https://www.docdroid.net/Qv14n3X/seleca ... ca-ist.pdf
Ou os Professores da U.Lisboa que participaram nisto http://dererummundi.blogspot.pt/2016/05 ... atica.html
Ou nisto http://tempoderecordar-edmartinho.blogs ... essor.html
Ou ainda e principalmente aquilo que consta no email abaixo onde um bom conhecedor do que por lá se passa dá pouco abonatório retrato.

Ainda sobre Harvard, é bom reconhecer que por lá também fazem asneira grossa como se percebe por exemplo pelo facto daquela universidade já ter mais artigos retractados por falsificação de resultados do que os artigos retractados pelas mesmas razões originários de todas as universidades da Suécia. E já nem sequer falo nesta pouca vergonha que mostra que Harvard anda a descurar a selecção de alunos por mérito e ao mesmo tempo se anda a tornar apenas uma coutada de filhos de ricos e poderosos:
https://www.cnbc.com/2017/09/06/harvard ... egacy.html
Ou será que o Reitor da ULisboa também quer alterar o sistema de ingresso no ensino superior para o tornar mais parecido ao de Harvard ? Ou seja nem tudo o que vem de Harvard merece ser seguido e muito menos copiado como aconselha a prosa do Sr. Reitor e o facto de lá (e noutras universidades da Ivy League) terem uma minoria de professores e um exército de escravos que de vez em quando se suicidam
https://www.timeshighereducation.com/features/poisonous-science-dark-side-lab
não é algo que se recomende mas que no limite até se pode entender numa universidade privada de um país fortemente liberal e onde se cultiva a narrativa do "be rich or die trying".

Uma nota final sobre a carreira de investigação que tanto irrita o Sr. Reitor. Faz todo o sentido que exista nas universidades uma carreira de investigação que corresponda no minimo a 10-15% do corpo docente. Estes investigadores estariam isentos de actividade lectivas excepto nos períodos em que não tivessem ganho projectos sendo que nessa altura teriam as mesmas responsabilidades lectivas dos restantes docentes. Aliás no discurso acima o próprio Reitor da ULisboa admitiu que há por lá docentes que por serem responsáveis por projectos importantes ficaram isentos de actividade lectiva, são assim falsos docentes mas antes investigadores a 100%.

Porém a verdade negra que justifica que uma tal carreira irrite tanto Sr. Reitor e também outros, é porque muitos desses são curiosamente aqueles que como escreveu aquele conhecido Catedrático de Medicina da Univ. Stanford, se especializaram na exploração do trabalho escravo de jovens investigadores, interessa-lhes por isso acabar o mais cedo possível com uma tal carreira, pois a mesma reduz inadmissivelmente a quantidade de trabalho escravo e que é por essa razão um espinho cravado na garganta do status quo. Para muitos desses o único investigador bom e aceitável é o investigador que previamente fez prova de subserviência aprovado em concursos de fachada e cuja missão se resume a colocar em paper as excelentes ideias de um professor, para que o mesmo possa assim ir enchendo o currículo e passear-se por conferências e congressos dando conta do que fazem os seus subordinados investigadores às ordens da sua iluminada visão. A verdade que não é escamoteável é que aquilo que convém a esses professores não é aquilo que convém a Portugal, país que já aboliu qualquer forma de escravatura há muito tempo, real ou mental, embora haja quem lhe sinta a falta. Se outra razão não houvesse a carreira de investigação justifica-se nas universidades públicas Portuguesas como forma de conseguir que a academia possa dispor de investigadores não marcados mentalmente pelo "ferro" de nenhum "branqueiro", leia-se investigadores independentes e não subservientes aos jogos de interesses lá instalados, interesses esses que podem servir muitos dos que controlam as universidades mas que não servem o superior interesse de Portugal.

Nota: Um investigador (ou docente que também os há) portador da "marca do branqueiro" é aquele selecionado em concurso viciado, momento a partir do qual automaticamente contrai elevada divida de que um dia poderá ou não vir a libertar-se. A melhor forma de identificar um destes investigadores (ou docentes) é através da constatação da sua capacidade ilimitada de continuar a obedecer cegamente ao "branqueiro" por maiores que sejam as humilhações sofridas às mãos daquele. Estes investigadores (ou docentes) raramente expressam opiniões que sejam contrárias ao status quo e muito menos dizem algo que possa desagradar ao seu "branqueiro". Não confundir "negreiros" com "branqueiros". Os primeiros ficaram conhecidos por traficar negros a partir de África para a Europa e América destinados ao trabalho braçal (por vezes também sexual) já os segundos actuam em toda a parte principalmente em Universidades dos Estados Unidos mas já também em algumas universidades europeias explorando trabalho intelectual, há alguns porém que foram condenados por exploração de trabalho sexual http://sevilla.abc.es/sevilla/sevi-catedratico-abuso-profesoras-desde-primer-y-varios-sitios-201701101330_noticia.html

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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 28 de Maio de 2017 19:36
Assunto: Rui Vilar, um Catedrático do IST sem papas na língua

"As lideranças universitárias adoram autocongratular-se com rankings obtidos com truques, no caso presente a fusão da UL e da UTL. Deviam preocupar-se, em vez disso, com a eficiência das instituições universitárias. Estas são frequentemente dirigidas por uma oligarquia autocrática e preguiçosa, cuja única preocupação foi rodear-se de uma máquina administrativa e de uma multitude de procedimentos crescentemente complicados e morosos, que lhe permite distanciar-se dos problemas reais das instituições e seus utentes, que são os que dão trabalho a resolver, passando o seu tempo a deliberar sobre problemas de menor interesse e, depois, a congratular-se com as deliberações tomadas.

Qualquer processo de aquisição, contratação, alteração curricular ou seja o que for envolve um número infinito de passos e dezenas de funcionários e prolonga-se durante semanas. O número de funcionários do IST, uma das escolas da UL de onde é oriundo Cruz Serra, excede já largamente o número de docentes (não parece, porque os distribuem por várias instituições, mas todos servem o IST) e cresce a cada dia para satisfazer a burocracia que nele grassa. E como burocratas geram burocracia a espiral é crescente e infinita! Cada vez se criam mais núcleos, gabinetes, conselhos, comissões e grupos de trabalho cujas funções são nebulosas e na maioria dos casos não mutuamente exclusivas, multiplicando a ineficiência, porque tudo depende disto, daquilo e mais de outra coisa e não há maneira de colocar tudo isto em consonância. Mas isso não impede de tomar decisões, pois, graças à autocrática lei de gestão universitária vigente, todo o poder está concentrado numa pessoa que, no fim, faz aquilo que quiser ou não faz nada se não estiver para se incomodar. Aquilo que se faz é só tomar medidas que dão pouco trabalho e muito penacho, deixando os problemas essenciais por resolver. E como há autonomia universitária (só para isto, porque não a há para nada do que é importante, como as políticas de contratações e salarial) não há sequer possibilidade de trazer alguém de fora para por ordem na casa. De qualquer forma não adiantaria, porque o Ministério e as agências e fundações de que se rodeou são iguais.

Convido aqueles que estão optimistas por causa dos rankings a visitar o IST numa manhã de aulas durante a próxima semana. Aquilo que verão é salas em que deveriam estar trinta ou quarenta alunos com dois ou três alunos. Outras, com aulas atribuídas, estão vazias. Como pode um sistema de ensino funcionar adequadamente quando apenas 10 ou 20 % dos alunos frequentam as aulas durante todo o semestre? E porque não se corrige esta situação? Provavelmente porque os gestores das universidades - professores - não querem ter a maçada de enfrentar os organismos estudantis e assobiam para o lado quando se lhes fala do assunto: "os bons professores têm as salas cheias", dizem. Não deve haver muitos, pois não há salas cheias.

No que respeita à produção científica, as política agressivas, disparatadas e erráticas de financiamento da investigação científica dos últimos governos e a carestia das propinas fez com que se verificasse uma crescente escassez de estudantes de doutoramento, privando os laboratórios de jovens permanentes, reduzindo a produção científica e gorando uma das mais nobres e socialmente úteis funções das universidades: a formação pela prática da ciência. A maioria dos grupos de investigação estão a funcionar em regime de subsistência o que, junto com a imposição de amortizações na aquisição de equipamento, que impede a atualização do equipamento de investigação, reduzirá inevitavelmente a produção científica a médio prazo, comprometendo até a posição nos rankings (além daquilo que é importante). E não se vê que isto venha a melhorar com os disparates do novo ministro, que decidiu confundir financiamento de projectos de investigação com combate ao desemprego científico num mesmo e único programa de financiamento, de forma a não resolver adequadamente, nem uma coisa, nem outra. Suponho que as únicas pessoas que sorriem nas universidades atuais são os reitores, presidentes e seus seguidores, provavelmente porque os cargos que ocupam os isolam da realidade. Os restantes não tem grande motivo para isso. E os cidadãos, em geral, também não."



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