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 Assunto da Mensagem: Quando algo péssimo é vendido como sendo óptimo
 Mensagem Enviado: Quarta Mar 07, 2018 6:54 pm 
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cientista sempre presente
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Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
Mensagens: 388
Universidade/ Instituto: Minho
https://www.publico.pt/2018/03/07/ciencia/noticia/patentes-europeias-atribuidas-a-portugal-aumentaram-153-em-2017-1805618

Hoje no Público uma noticia positiva, pelo menos quando comparada com aquilo que se escreveu no email abaixo em 10 de Junho de 2017, onde se criticou não haver uma produção de patentes mínima nas universidades Portuguesas, pois que estar abaixo de Chipre e de Porto Rico não é cartão de visita que se deseje.

Note-se porém que só uma ínfima percentagem das patentes geradas a nível mundial respeitam a inovações de elevado valor e com potencial económico (van Raan, 2017)* resultando daqui que a maioria não tem qualquer valor e servem para nada, nem sequer como indicativas do valor de uma investigação (abstenho-me de citar referências neste ponto), excepto se eventualmente vierem posteriormente a ser citadas (em artigos ou patentes) de elevado valor.

É claro que sendo as empresas Portuguesas um deserto (leia-se uma desgraça) em termos de inovação científica mais não resta ao Governo que tentar estimular a academia no sentido de tentar compensar esse vazio. É por isso que não aprecio o teor do comunicado que o IEP fez chegar à imprensa sobre este tema onde consta:
“Portugal destaca-se da maioria dos países europeus por ter presente, no top cinco, três laboratórios de investigação e instituições académicas”

pois aquilo que o IEP reputa como uma mais valia comparativamente a outros países europeus eu reputo de desgraçada fraqueza nacional, pois se à academia mais não restar que andar a tapar os buracos (leia-se responsabilidades) das empresas Portuguesas um dia destes não lhe sobrará tempo (nem vocação) para tratar da sua verdadeira missão.

Note-se que contrariamente ás recomendações contidas no relatório Lamy eu não acho que seja tarefa da academia europeia andar obcecada com a produção de patentes (a universidade mais inovadora a nível mundial não chega sequer aos calcanhares da empresa mais inovadora no que respeita à produção de patentes, na verdade nem sequer juntando as patentes submetidas pelas três universidade americanas com melhor desempenho conseguem aquelas chegar minimamente perto do número submetido pela melhor empresa privada, no relatório que acima se dá conta pode perceber-se que a Chinesa Huawei submeteu 2398 pedidos muito mais até que as empresas no 2 e 3º lugares, Siemens e LG).

Percebe-se que universidades privadas desesperadas por receitas ou universidades públicas num país com um tecido empresarial como o nosso tentem apostar na valorização económica do conhecimento que produzem porém essa é uma luta desigual e inglória além do que pode tornar-se até contraprodicente, pois como se escreveu no link abaixo, a missão das empresas e da academia, especialmente nos tempos que se avizinham é muito diferente dessa e cada vez será mais diferente e há até vários riscos envolvidos na tentativa de aproximar as duas http://forum.bolseiros.org/viewtopic.php?f=8&t=7056

É verdade que a economia de um país é muito importante mas a integridade do mesmo é muito mais importante e adianta pouco viver num país com maior nível económico se o mesmo estiver completamente minado pela desigualdade e pela corrupção. Aquilo que se passa na Itália, país com um nível de riqueza superior ao nosso, com um PIB/capita que não fica muito longe do dobro do nosso, mas onde existem fortes e mal disfarçadas pulsões fascistas e onde as diversas associações mafiosas que ali conseguiram constituír um estado dentro do próprio estado, sendo quase impossíveis de extirpar não é algo que se possa invejar. É por isso importante que academia se decida se está mais interessada em contribuir para o desenvolvimento económico ou se mais para maior coesão, menor desigualdade e maior tolerância, pois não é evidente nem liquido que o primeiro conduza automaticamente ao segundo.

*van Raan, A. F. (2017). Patent citations analysis and its value in research evaluation: A review and a new approach to map technology-relevant research. Journal of Data and Information Science, 2(1), 13-50.


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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 10 de Junho de 2017 13:30
Assunto: Alguns dados para se perceber porque motivo Portugal não têm nenhuma universidade entre as 100 mais inovadoras da Europa

Na sequência do email abaixo vale a pena ver as quatro tabelas no ficheiro anexo retiradas daqui https://www.epo.org/about-us/annual-reports-statistics/statistics.html#national e relativas aos pedidos de patentes submetidos em 2016 ao European Patent Office-EPO.

A primeira mostra que Portugal aparece na 29ª posição em termos do rácio pedidos de patentes/milhão de habitantes. Abaixo do Chipre e de Porto Rico. A segunda permite constatar quais foram as quatro instituições nacionais com mais pedidos, onde registe-se consta a Universidade do Porto que salvou a honra da academia com 5 pedidos. É por isso pertinente perguntar:

1-porque motivo a Universidade de Lisboa, a maior universidade Portuguesa, com 79 centros de investigação (47 Muito Bons ou Excelentes), com mais de 3700 ETIs, não conseguiu submeter em 2016 nem sequer ​meia dúzia de pedidos de patentes ?
2-porque motivo foi a empresa de cafés Nova Delta aquela que mais pedidos de patentes submeteu em Portugal (12 pedidos) se a mesma gasta em investigaçãouma ínfima parte do que gasta a universidade de Lisboa e até menos do que os vários laboratórios associados daquela instituição ?


A terceira revela quais foram as 15 áreas que submeteram mais pedidos no nosso país e a quarta revela as áreas que lá fora submeteram mais pedidos. Desde logo fica-se a saber que os pedidos de Portugal representam menos de um milésimo dos quase 160.000 submetidos ao EPO em 2016. A Espanha submeteu 10 vezes mais pedidos do que Portugal e a Suiça submeteu 47 vezes mais pedidos do que Portugal. Fica-se também a saber que as três grandes áreas que lá foram dominam os pedidos de patentes são a tecnologia médica, as comunicações digitais e a tecnologia de computadores. Em Portugal a tecnologia médica aparece somente na 14ª posição, as comunicações digitais na 13ª e a tecnologia de computadores na 11ª.

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From: F. Pacheco-Torgal
Date: 2017-06-09 19:02 GMT+01:00
Subject: Europe's most innovative universities-2017
To:

http://www.reuters.com/article/us-reutersrankings-europeanuniversities-idUSKBN17Z09T

Um ranking onde Portugal não têm uma única universidade, nem sequer aquela que recentemente o DN dizia ser a melhor da península ibérica. http://www.dn.pt/portugal/interior/univ ... 10837.html
E no entanto estão lá, nada mais nada menos do que 11 (onze) universidades Espanholas !
Será que isto é aceitável ou sequer compreensível ?

Metodologia: http://www.reuters.com/innovative-universities-europe-2017/methodology
10 different metrics based on:
1-patent volume,
2-patent success,
3-global patents,
4-patent citations,
5-patent citation impact,
6-%of patents cited,
7-patent to article citation impact,
8-industry article citation impact,
9-% of industry collaborative articles,
10-web of science papers,


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