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 Assunto da Mensagem: Doutoramentos em UIs com Muito Bom e Excelente ? Pois sim !
 Mensagem Enviado: Segunda Fev 19, 2018 8:25 am 
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cientista sempre presente
cientista sempre presente

Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
Mensagens: 535
Universidade/ Instituto: Minho
O MCTES esclareceu recentemente que as instituições de ensino superior só vão poder oferecer doutoramentos "se tiverem unidades e centros classificados com Muito Bom e Excelente". Acresce que as instituições vão ter ainda que ter pelo menos 75% dos recursos humanos integrados em unidades de investigação. Exigência óbvia e fácilmente alcançável como o comprova o levantamento efectuado pela DGEEC http://www.dgeec.mec.pt/np4/392/%7B$clientServletPath%7D/?newsId=822&fileName=DocentesEmUnidadesFCT.pdf
excepto obviamente para algumas poucas unidades orgânicas no ensino universitário com valores distantes da meta dos 75% (Quadro 9) abaixo algumas delas:
U.Lisboa.........Fac. Psicologia...............59%
U.Coimbra......Fac. Mecicina.................42%
U.Porto...........Fac. Medicina Dentária...25%
U.Porto...........Fac. Desporto..................22%
U.Lisboa.........Fac. Medicina Dentária...17%

exigência essa porém que dificilmente é cumprida pelas unidades orgânicas do ensino superior politécnico, onde muitas apresentam valores residuais (Quadro 10). Aliás o próprio Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Politécnicos já admitiu publicamente que irá levar algum tempo até conseguirem cumprir as referidas exigências.

Entendo porém que ele não estará a avaliar devidamente o significado das tais exigências, porque se a segunda exigência poderá não levar muito tempo a cumprir já a primeira é muito difícil de cumprir no estado actual do ensino superior politécnico, pois muito embora nesse subsistema haja muitos docentes com excelentes capacidades de investigação (vide email abaixo de 20 de Maio) eles estão muito dispersos, não só por várias instituições como por várias áreas científicas. Felizmente para ele (e para muitos outros) que essa é uma exigência que não é para levar muito a sério. Desde logo porque a mesma invalida aquela que é uma das recomendações do relatório da OCDE e um dos objectivos do MCTES, no sentido de aumentar o número de doutorados. É praticamente impossível operar uma tão elevada redução no número de unidades que podem lecionar cursos de doutoramento e ao mesmo tempo esperar que o número de doutorados aumente mais do que em anos anteriores. Isso só seria possível se cada docente das unidades classificadas com Muito Bom e Excelente passasse a ser orientador de dez ou mais doutorandos.

Também porque nunca e em tempo algum uma tal medida de tão exigente que é (relativamente a um SCTN em que metade dos docentes não faz parte de unidades de investigação) conseguiria ser aprovada na Assembleia da República. Os parceiros do Governo não a deixarão passar pois por principio só são favoráveis a politicas de inclusão e nunca de exclusão e tão pouco o PSD a deixará passar por causa dos interesses das universidades privadas, que com tais exigências poderiam arriscar ficar sem um número suficiente de cursos de doutoramento que lhes permitisse manter o título de universidade. O que irá acontecer é que em sede de negociação a exigência irá baixar para passar também a incluir as unidades classificadas com Bom. E não é de excluir que também a exigência agora proposta de 75% não venha a baixar para um valor mais "inclusivo".

Importa ainda ter presente que o MCTES foi o secretário de estado que esteve associado à aprovação de um diploma (RJIES) que em 2007 exigia que as universidades passassem a ter pelo menos 50-70% de professores com tenure e hoje volvida que está uma década não há uma única universidade neste país que consiga cumprir esse valor, o que mostra bem da sua capacidade de perceber e antecipar o que é a academia Portuguesa e dos seus ritmos evolutivos.

______________________________________________________________________
De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 8 de Fevereiro de 2018 7:12
Assunto: Fev 2018__Relatório da OECD defende alteração da lei para que Politécnicos possam atribuir doutoramentos

Ficheiro em anexo. A proposta não traz novidade face a anteriores declarações do Presidente da A3ES, face ao posicionamento do CCISP e face também por exemplo ao esclarecedor texto de Agosto de 2016 do ProPresidente do Instituto Politécnico de Coimbra, cujo link consta em email abaixo de 30 de Agosto de 2016. O referido relatório critica também o facto de haver universidades a lecionarem formações em áreas que são claramente de natureza Politécnica.

Também interessante é o texto na pág. 38 sobre a óbvia necessidade de dar prioridade ao financiamento de bolsas de doutoramento, em áreas críticas para o desenvolvimento de Portugal. É claro que discutir o que é prioritário para Portugal será tema controverso e nada pacífico e não basta dizer que isso já está definido na conhecida Estratégia Nacional para a Especialização Inteligente pois que naquela há algumas coisas pouco inteligentes, ou que podem apenas ser consideradas inteligentes por resultarem da inteligente estratégia daqueles que conseguiram que elas lá fossem inseridas como sendo prioritárias para o desenvolvimento de Portugal, como seja por exemplo esta http://forum.bolseiros.org/viewtopic.php?f=8&t=6969 Aliás só faltou que alguém se tivesse lembrado de lá inserir também o futebol para compor o ramalhete.

______________________________________________________________________
De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 20 de Maio de 2017 7:42
Assunto: Doutoramentos nos Politécnicos

Na sequência do email abaixo sou a dar conhecimento de lista relativa a alguns colegas do Ensino Superior Politécnico-ESP com mais de 150 publicações referenciadas na base Scopus:

J. Tenreiro Machado.......Inst. Politécnico do Porto...................436 publicações Scopus
Isabel Ferreira................Inst. Politécnico de Bragança.............423
Zita Vale........................Inst. Politécnico do Porto...................405
Manuela Vieira...............Inst. Politécnico de Lisboa..................291
Cristina. Delerue-Matos..Inst. Politécnico do Porto....................271
Paulo Bártolo.................Inst. Politécnico de Leiria....................248
Lilian Barros..................Inst. Politécnico de Bragança..............224
Carlos Ramos...............Inst. Politécnico do Porto....................195
José Pereira................. Inst. Politécnico de Bragança.............192
Victor Mendes...............Inst. Politécnico de Lisboa..................173
Paula Louro...................Inst. Politécnico de Lisboa..................170
Victor Pires.................. Inst. Politécnico de Setúbal.................164
Paulo Leitão..................Inst. Politécnico de Bragança..............162
Hugo Morais..................Inst. Politécnico do Porto...................156
Miguel Fernandes.......... Inst. Politécnico de Lisboa..................152

A base Scopus permite ainda perceber que há muitos colegas no ESP com mais de uma centena de publicações referenciadas naquela base de dados o que não sucede com muitos Professores do ensino superior universitário-ESU com tenure da mesma área científica, existem até alguns destes últimos com menos de uma dezena de publicações Scopus a leccionar UCs de programas de doutoramento de áreas tecnológicas e a orientar alunos de doutoramento (com grave violação do principio da igualdade e do mérito), tal facto legitima por isso as pretensões referidas no email abaixo e bem assim a queixa relativa à ursupação que muitas universidade levam a efeito em colaborações com a indústria, que constitui o campo de acção tradicional do ESP. Não parece por isso possível que o ESU continue por muito mais tempo a ocupar o espaço do ESP e ao mesmo tempo continue a impedir que aqueles também não tentem fazer o mesmo. Portanto se o ESU não prescinde de fazer investigação em colaboração com a indústria, tendo em conta os rendosos proveitos que daí retira, terá que admitir mais tarde ou mais cedo a possibilidade de nalgumas áreas e nalgumas instituições ser a capacidade científica e não o subsistema de ensino a determinar quem pode atribuir o grau de doutor. Provavelmente o facto de no ano passado a FCT ter aberto uma Call de projectos para o ESP e este ano ir fazer o mesmo poderá eventualmente ser uma tentativa de apaziguamento da retórica belicista que ultimamente têm exalado daquele subsistema de ensino, essa decisão porém ao contribuir para exponenciar a produção científica de alguns ESP irá inevitavelmente reforçar e até legitimar as reclamações referidas.


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