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 Assunto da Mensagem: Laboratórios Associados: Accountability, omissão e regabofe
 Mensagem Enviado: Domingo Dez 10, 2017 10:59 am 
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cientista assíduo
cientista assíduo

Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
Mensagens: 276
Universidade/ Instituto: Minho
Abaixo link do último e interessante relatório do Laboratório Associado Instituto de Medicina Molecular:
https://imm.medicina.ulisboa.pt/files/4714/9147/2294/iMM_Scientific_Report_2016.pdf

Convido os Colegas a compararem este relatório com o último relatório de outros laboratórios Associados ! Pelo menos com os daqueles que disponibilizam relatórios online, pois se o discernimento não me falha na consulta que fiz nem todos o fazem, o que é uma peculiar forma de prestarem públicas contas dos milhões de euros de financiamento que receberam do erário público. Os laboratórios associados dividem-se assim em três tipos: aqueles que publicitam relatórios muito completos que comprovam o bom uso dos dinheiros públicos, aqueles cujos relatórios se resumem a meia dúzia de páginas e factos dispersos e os outros que nem se deram ao trabalho de colocar online esses relatórios.

Destaque para a Fig. 1 na página 14 "iMM Applications and Secured Competitive Funding". Seria boa ideia que similarmente as restantes unidades, ou pelo menos todas aquelas classificadas com Excelente também tornassem pública a informação sobre o número de candidaturas submetidas e aprovadas, para se ter uma ideia não só do grau de esforço mas também de eficiência das mesmas.

Como é evidente a tabela no fundo da página 19, e bem assim a informação contida nas páginas 20, 21 e 22 não poderão constar do futuro relatório que está unidade irá submeter no âmbito da avaliação em curso porquanto o RAFU não permite qualquer referência a indicadores bibliométricos, assim estranhamente colocando no mesmo patamar aquelas que os têm e os podem mostrar e aquelas que os não têm. Interessante também o conteúdo a páginas 468 e seguintes sobre startups a sério e não do tipo daquelas centenas de milhar referidas no email abaixo.

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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 14 de Fevereiro de 2017 16:08
Assunto: Estranhos números que dão que pensar

Abaixo links e números disponíveis no site da FCT, no âmbito de uma iniciativa oficial https://www.study-research.pt/ptque "é promovida pela área governativa da ciência, tecnologia e ensino superior, em articulação com a Direção-Geral do Ensino Superior, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a Secretaria de Estado do Turismo" http://www.fct.pt/noticias/index.phtml.pt?id=205&/2017/1/Study_&_Research_in_Portugal,_%22Pa%C3%ADs_de_Conhecimento,_espa%C3%A7o_de_Inova%C3%A7%C3%A3o%E2%80%9D,

1: Desde de 2007 foram criadas mais de 300.000 novas start-ups, 31.000 por ano
2: Nos últimos 25 anos, a produção científica portuguesa aumentou 35 vezes
3: Quase 40.000 Investigadores em tempo integral
4: Nos últimos 25 anos, o número de patentes registadas na Europa aumentou 45 vezes


Os factos abaixo dão porém uma outra visão da realidade:

1. sobre start-ups:
O "estudo" da Informa D&B com o título Empreendedorismo 2007-2015 refere que em Portugal foram criadas mais de 300.000 startups desde 2007, porém este "estudo" define como startup todas as empresas com menos de 1 ano de actividade ! A revista Forbes tem uma muito definição muito mais restritiva e rigorosa “A startup is a company working to solve a problem where the solution is not obvious and success is not guaranteed” já a Wikipedia define-as como “an entrepreneurial venture which is typically a newly emerged, fast-growing business that aims to meet a marketplace need by developing or offering an innovative product, process or service”, definições que muito dificilmente permitem incluir cabeleireiros, oficinas de bate-chapa, cafés, restaurantes e similares que foram contabilizados no “estudo” acima referido para atingir o extraordinário número de mais de 300.000. Até podem ter sido criadas 300.000 novas empresas desde 2007. Até podem por uma questão de simplificação chamar start-ups a cabeleireiros, oficinas de bate-chapa, cafés, restaurantes, bares e similares (Note-se que o sector do alojamento e restauração foi o terceiro com mais empresas criadas.) Nada contra. Porém o facto inescapável é que a esmagadora maioria destas respeitam a emprego não tecnológico e muito pouco qualificado não se percebendo por isso porque é que a Fundação da Ciência e Tecnologia se associa a uma acção de promoção ligada à criação destes negócios pois isso só pode servir para confundir a comunidade científica.

2. sobre publicações científicas:
Faz muito pouco sentido fazer comparações de publicações a 25 anos, mas mesmo assim a comparação das publicações referenciadas na base Scopus revela um crescimento de 19 vezes e não 35 vezes. Pelo que só contabilizando publicações de pouca qualidade se pode eventualmente atingir o tal crescimento de 35 vezes. Por outro lado uma pesquisa na base Scopus revela que Portugal produziu durante o ano de 2016 um total de 22.300 publicações, valor inferior a 2015 e mesmo a 2014 quando se produziram 23.000 publicações em cada ano, já em 2013 se produziram em Portugal 22.000, ou seja a produção científica relevante recente não só não subiu como até baixou.

3-sobre número de investigadores:
Para se chegar a quase 40.000 investigadores é necessário incluir vários milhares de alunos, milhares de docentes que têm apenas a licenciatura e também vários milhares que não possuem mais do que o grau de Mestre. Muitos destes nunca publicaram um único artigo numa revista internacional ou qualquer outra publicação de qualidade similar. Se o SCTN pudesse efectivamente contar com 40.000 investigadores a tempo integral não seria expectável que aqueles produzissem em média no minimo 40.000 artigos SCI a cada ano ?

4. sobre patentes:
Dizer que as patentes em Portugal cresceram 45 vezes significa muito pouco se o ponto de partida for quase nulo. A verdade é que as estatísticas da WIPO revelam que o rácio patente por cada milhão de doláres gasto em I&D publicações para Portugal é inferior por exemplo ao da Coreia do Sul em aprox. 30 vezes. Por cada milhão de dólares gasto em I&D o Japão produz aprox. 20 vezes mais patentes. O país mais próximo do desempenho de Portugal é Espanha que para o mesmo nível de investimento em investigação produz quase o dobro das patentes. Além disso e de acordo com o European Innovation Score Board 2016 Portugal está ao nível de Malta, do Chipre ou da Lituânia e 1000% abaixo do desempenho da Suiça no indicador Pedidos de patentes !


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