Registar    Entrar    Fórum    Pesquisar    FAQ     RSS

Índice do Fórum » Geral » Novidades, Notícias e Avisos





Criar Novo Tópico Responder a este Tópico  [ 1 mensagem ] 
Autor Mensagem
 Assunto da Mensagem: “Os salários, o confisco e o emprego”
 Mensagem Enviado: Quarta Ago 09, 2017 11:56 am 
Offline
investigador em formação
investigador em formação

Registado: Quarta Dez 09, 2015 8:17 am
Mensagens: 50
Universidade/ Instituto: Minho
Hoje o jornal I contém na página 32 artigo com o título supra escrito pelo Colega Clemente Pedro Nunes, que o mesmo artigo refere ser Professor catedrático no Instituto Superior Técnico”. https://ionline.sapo.pt/575605?source=social

Nele o ilustre colega entende como importante exercício explicar aos leitores daquele jornal que as empresas não são as máquinas exploradoras que algumas ideologias pretendem fazer querer. Vai daí e explica como se estivesse a falar para leitores inteligentemente pouco dotados aquilo que eles ainda não perceberam. Que se uma empresa paga a um colaborador o salário mínimo de 557 euros isso constitui apenas uma parte dos seus gastos com esse mesmo colaborador, tendo ainda que pagar os 23,75% da TSU, 4% para seguro de acidentes e medicina no trabalho e ainda a parte correspondente aos subsídios de férias e Natal. Acrescenta depois que a grande maioria do que é pago pelas empresas vai para o Estado e a isso chama confisco fiscal. Depois deste brilhante exercício passa seguidamente para a apreciação de dois acontecimentos que julga serem relevantes face à prévia análise do tal confisco fiscal. O primeiro é a tragédia de Pedrógão. Sobre esse prefiro nada dizer porque se muito condeno que o ilustre Colega o tenha feito não lhe posso imitar o exemplo. Já o segundo acontecimento fia mais fino e prende-se com a decisão “de recrutar para função pública bolseiros pós-doc”. Acrescenta ele que a “continuarem apenas no Estado, ficarão cada vez mais longe de contribuir directamente para o desenvolvimento de Portugal”. Para rematar escreve as empresas pagam impostos para que esse dinheiro seja usado para que alguns dos jovens mais bem preparados do país vão trabalhar para o Estado, e não para as empresas.

Excluindo a bizarra pérola de um catedrático achar que na academia não se contribui directamente para o desenvolvimento de Portugal, não se percebe, de todo, o que leva um académico e logo um empossado no topo da carreira a tomar as dores das empresas. Fica por isso a dúvida de saber se se trata de um discurso desinteressadamente académico ou se algum dos seus familiares têm alguma empresa carente de doutorados (de baixo custo).

Também não se percebe porque afirma que a contratação de pós-docs pelo Estado vai impedir as empresas de também poderem competir por eles. Se todos os anos se doutoram cerca de 2500 doutorados e se o número de bolsas de pós-docs é muito inferior aquele valor porque diz que não há doutorados para trabalhar nas empresas ? Ou será que interessa às empresas contar que o Estado não lhes prejudique a política de contratação de quadros técnicos pelo salário mínimo?

Coisa bem diferente é esperar que haja doutorados que aceitem trabalhos pagos por valor pouco acima do salário mínimo ! Será que o ilustre Colega acha mesmo que algum doutorado com um módico de inteligência irá aceitar trabalhar numa empresa Portuguesa se tiver melhor oferta lá fora ? Espero que o ilustre Colega não esteja a sugerir que os doutorados deste país estão desde logo obrigados a trabalhar em empresas deste país como contrapartida pelos impostos generosamente pagos pelas mesmas.

Mas se as empresas estão assim tão interessadas em contratar doutorados, como o ilustre Colega pretende fazer crer, porque será então que houve recentes apoios comunitários que permitiam às empresas pagar financiar metade dos salários dos doutorados e esses apoios não se esgotaram ? A verdade é que essa vontade nunca existiu, não existe e não existirá tão cedo porque a esmagadora maioria das empresas Portuguesas ligadas que estão a negócios de baixa tecnologia não estão minimamente interessadas em fazer investigação nem sequer tão pouco em desenvolverem projectos conjuntos com as entidades do SCTN, as que estão nessas condições constituem apenas uma pequena minoria do tecido empresarial do nosso país.

A visão romântica que o ilustre Colega têm pelas nossas empresas joga mal com a realidade. Se é certo que até há muitas empresas honestas também existe o reverso da medalha e esse reverso não é um epifenómeno. Seria relevante neste contexto que o ilustre Colega consultasse algumas estatísticas sobre os casos de assédio moral nas empresas Portuguesas, fenómeno que afecta centenas de milhares de trabalhadores http://expresso.sapo.pt/blogues/jose-soeiro/2016-09-30-Assedio-moral-o-terror-no-trabalho ou que tenha presente que muitos empresários acham que o bom investimento empresarial é a compra de viaturas de alta cilindrada não admirando depois que as mesmas apresentem níveis de endividamento astronómicos https://www.dinheirovivo.pt/empresas/empresas-portuguesas-entre-as-mais-endividadas-do-mundo/ ou que relembre um edificante episódio de estratégia empresarial https://www.dinheirovivo.pt/empresas/empresas-obrigam-estagiarios-a-devolver-parte-do-salario/ e já não falo sequer dos tais maravilhosos empresários que nos pregaram o tal calote dos 63.000 milhões (e não foi a contratar doutorados)
http://expresso.sapo.pt/newsletters/expressomatinal/2015-12-28-Os-Emidios-Catuns-que-nos-pregaram-um-calote-de-63-mil-milhoes-e-andam-a-solta

Deixo para o fim o confisco fiscal. Sobre essa classificação, que não fica nada bem na pena de um académico, apenas um comentário. As empresas não fazem favor a ninguém por pagarem os impostos que a lei determina embora aquilo que se sabe é que fazem o possível e o impossível por pagar o mínimo possível seja através de Malta http://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/malta-um-paraiso-fiscal-para-centenas-de-empresas-portuguesas ou de outro qualquer esquema do mesmo jaez. Se os cidadãos deste país utilizassem a mesma receita já há muito que este país tinha falido.

Em vez de forma directa ou por interposta pessoa as empresas Portuguesas se queixarem que pagam muitos impostos e que querem opção de contratação dos melhores doutorados deste país por tuta e meia as empresas deste país deviam antes mostrar-se gratas por viverem num país que ainda lhes permite muitas maningâncias como seja por exemplo aquela bela doutrina jurídica que livrou os responsáveis das empresas apanhadas na operação Furacão de irem passar uma estadia na prisão bastando para tal que pagassem a divida. Já na Alemanha e noutros países menos dados a facilitismos o pagamento de dividas em falta pode implicar uma penalização de valor igual ao triplo da divida e nas dividas de valor acima de um milhão de euros o seu pagamento não constitui salvo conduto para fugir à cadeia como aqui sucede.


Topo 
 Perfil  
Resposta com citações  
Mostrar mensagens anteriores:  Ordenar por  
 
Criar Novo Tópico Responder a este Tópico  [ 1 mensagem ] 

Índice do Fórum » Geral » Novidades, Notícias e Avisos


Quem está ligado

Utilizadores a navegar neste fórum: Nenhum utilizador registado e 1 visitante

 
 

 
Criar Tópicos: Proibído
Responder Tópicos: Proibído
Editar mensagens: Proibído
Apagar mensagens: Proibído
Enviar anexos: Proibído

Pesquisar por:
Ir para:  
cron
Alojamento oferecido por David A.